Urge proteger as crianças dos livros? Nossos Estados Unidos como ameaças à liberdade de expressão vêm de extremos opostos

A censura literária cresce nos Estados Unidos, embalada pela polarização política. Mas de 300 obras foram contestadas apenas no último trimestre de 2021. Os extremos estão juntos na luta

Xi Van Fleet revolta-se contra a escola dos filhos, que, na opinião desta chinesa emigrada para os Estados Unidos, pretende converter-se em “guerreiros pela justiça social”. Durante uma reunião de pais, recorreu ao passado do seu país de origem para comparar a realidade americana de hoje com o período da revolução cultural planada por Mao Tsé-Tung. “Estou alarmada com o que aconteceu. Na China usa a mesma lógica, mas baseada na classe social. Hoje, por aqui, fazem o mesmo, usando a raça para nos colocar uns contra os outros.”

A plateia, conservadora e radicada no sul do estado da Virgínia, aplaude a intervenção de pé. O canal de televisão Fox News, conotado com a agenda da extrema-direita, a pequena divulga no site com o seguinte título “Mãe em tempo real, que sobreviveu à China maoísta notícia política de um distrito escolar”.

Este episódio tornou-se viral no verão passado Xi Van Fleet explicou ao Expresso que se refere especificamente à teoria da crítica racial, uma linha de pensamento com décadas de desenvolvimento nas universidades americanas, que examinou os conceitos de raça e direito se intercetam na História da América. Segundo os defensores desta teoria, o passado do país deve ser escrutinado à luz da injustiça racial.

A tese levou a que vários livrososssem banidos dos currículos escolares, o que revoltou a direita americana, com vários líderes do Partido Republicano a capitalizarem politicamente. “Destruíram tudo que não era comunista: estátuas, livros, etc.”, lembra Van Fleet, referindo-se ao “pesadelo” orquestrado no Império do Meio. “Para os chineses que escolheram viver na América muitos, é a desilusão perceber que, após aprendermos ao comunismo, voltamos a vivê-lo”.

Gregory Peck desempenhou o papel de Atticus Finch numa adaptação cinematográfica de “To kill a mockingbird” (1962) FOTO Universal History Archive/UIG/Getty images

Foi com base neste sentimento que, nas eleições do último mês de novembro, o republicano Glenn Youngkin de novembro, o democrata Terrestre McAuliffe, fez-se o governador da Virgínia, ao arrepio das pesquisas. Como muito menos para gastar do que o equipamento, a Youngkin investe em iniciativas como uma linha telefónica SOS para pais que dinheirom denunciar alegadas “práticas polarizadoras”.

O fenômeno continua e, no final da semana passada, o estado de Washington, um dos mais progressistas na América, tirou das escolas “To Kill a Mockingbird”, de Harper Lee (publicado em Portugal com o título “Mataram a cotovia” ou “ Não matem a cotovia”, conforme edições). O clássico da americana 60, baseado na literatura, advogado que defende um negro de um dos últimos anos de referência ao estado do Alabama — um retrato de uma história de abandono nas salas de aula — um serviço alegórica sóbrio ou racismo.

Os responsáveis ​​do estado de Washington, na costa do Pacífico (não confundir com a cidade capital dos Estados Unidos) consideraram que a linguagem usada na obra, própria do tempo que retrata, é “insuportável” nos dias que correm. O personagem do causídico Atticus Finch, empenhado na defesa do negro injustamente acusado, configurou uma espécie de “salvador branco”, ou seja, uma “figura opressora”, leu-se num comunicado.

“Muitos dos livros banidos descrevem como viver outras décadas legais e morais, crianças há séculos… servem para ensinar às nossas crianças que existem progressos e que as normas evoluídas”, afirma ao Expresso Robert Thompson, fundador do Bleier Center for Television and Popular Cultura, na Universidade de Siracusa. “Os fatores que alertam para o problema são os que estão causando o problema. O que interessa no debate político, sem respeito, ou seja, informado nos pontos de referência, o último ponto de referência dos acadêmicos americanos como embaixadores da cultura pop.

Extrema-esquerda e extrema-direita no mesmo barco

Na semana passada, este assunto voltou à tona, depois da suspensão da atriz Whoopi Goldberg do painel de comentadora do “The View”, popular programa matinal da estação televisiva ABC. A decisão surgiu depois de um painel de cinco pessoas ter debatido a decisão de um distrito escolar do Tennessee de proibir o livro “Maus”, novela gráfica de Art Spiegelman sober o Holocausto, premiada com o premio Pulitzer, em que os judeus são ilustrados como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cães e os polacos como porcos.

Nesse caso, a agenda ultraconservadora dessizou o essencial, justificando uma decisão unânime com a existência de um caso de concentração “in valor” (quando se ilustra fato palavreado como o exterminio de jus nos campos de concentração). “Ou seja, impeça a nudez é mais relevante do que ensinar os horrores do Holocausto aos nossos jovens”, lamentou Robert Thompson.

Goldberg, ao contrário do painel do “The View”, contrariou a maioria, mas a maioria considerou a opinião de sua decisão negra do Tennessee, julgado como a maioria dos crimes da História. A atriz argumento reflete uma desumanidade absoluta entre “, mas não elabora sobre o racismo, pois os assassinados agressores alemães possuem a mesma cor da pele”.

Como as redes sociais explodiram de indignação, lembrando de uma formulação do Governo Hitler, foi criada uma raça inferior. O reconhecimento de Goldberg concretizou-se, mesmo contra a vosade das outras quatro intervenientes.

A Carta de Direitos, que contém as primeiras dez adendas à Constituição dos Estados Unidos, consagra a liberdade de expressão DR

A Carta de Direitos, que contém as primeiras dez adendas à Constituição dos Estados Unidos, consagra a liberdade de expressão DR

Num país onde a liberdade de expressão está prevista logo na adendada à Constituição, uma noção de crítica literária, supostamente para proteger como mentes dos primeiros mais novos, tornou-se o mais recente foco de rede social. As comunidades como conservadores restringem os compêndios que retratam a História da escravatura e opressão segregacionista ao mesmo tempo que liberais cancelam publicações como o famoso autor de livros infantis Dr. Seuss (de quem foram os personagens como o Grinch ou Gato com Chapéu) por presentarem história racista e insensível.

Segundo a “American Library Association”, 330 livros foram alvo de queixa só no último trimestre do ano passado. Por comparação, em 2020 registraram-se 156 ocorrências daquele tipo Enquanto os adultos se digladiam, os mais novos recorrem ao ativismo puro. Quando, por exemplo, o distrito escolar da cidade de York, na Pensilvânia, retirou das bibliotecas um conjunto de obras rotuladas de “antirracistas”, os alunos do secundário protestaram nas ruas Durante semanas.

“Estava muito frustrada”, lembra ao Expresso, Edha Gupta, líder estudantil local. “Quando se perde o norte do ponto de vista moral, urge mudar de direção. Podemos ser poucos, mas não precisos de ser muitos para que o diálogo se inicie”. A professora Patty Jackson ajudou nossos preparativos o que lhe trouxe dissabores. “Agrediram-me verbalmente. Estive em risco de perder o emprego”, conta-nos. “Houve pais furiosos a que eu e outros colegas nas mesmas circunstâncias pitmos despedidos. Alegaram Américadas que foram envergonhadas ao lerem sobre a História dos negros”.

“Um tsunami de raiva”

A fúria parental generalizou-se. Jonathan Friedman é presidente da PEN America, organização que ajuda instituições e indivíduos a combaterem a censura nas escolas dos Estados Unidos. “É de raiva, resultado em pandemia, que disparar os interesses de organização, fez um tsunami, mas também encorajado por organizações políticas, que lucram polarizar a sociedade”.

Friedman se baseou no Expresso que muito do recebimento infundado-se no discurso de alguns políticos, caso do antigo Presidente Donald Trump, que lanceam “suspeitas” sobre como escolares escolares. “Inspirados, os pais mobilizam-se e arrasam qualquer livro que uma perspectiva de nuance sober tenha informações como o racismo.”

Este perito resume onde está em causa. “Infelizmente, o que estamos a ver é que mais furiosas e sonoras são as opiniões, mais autoridade no ensino da literatura, história e ciência. Mas faça que ás dos próprios professores”. Com a política americanada, a educação tornou-se nova frente de batalha, contrariando a ideia, segundo Friedman, de que “a escola deve ser um lugar onde todos nos juntamos num ambiente seguro e progressista”.

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