Um adeus para Neal Adams, desenhista que resgatou Batman e revolucionou os Vingadores – Prisma

Encontrei Neal Adams, pela primeira vez, em 1997, na Comic Con de San Diego, na Califórnia. Obviamente qu’tremi nas bases porque não imaginava que era tão fácil assim como encontrar as lendas dos quadrinhos nos corredores do Convention Center. Tudo bem, outros eram tempos.

Quando o vi sentado atrás de uma bancada, me aproximei e disse “olá”. Com sua camisa azul indefectível de mangas longas e dobradas, ele me cumprimentou e eu consegui dizer apenas que era um grande fã. Ele pensou e falou: “você vai fazer uma pergunta ou ficou muito nervoso de vir falar comigo?”. Apenas e disse que só queria conhecer-so mesmo. Comprei uma arte dele, pedi um autógrafo e saí feliz da vida.

A última vez que o encontrei foi em 2019, quando ele veio para a Comic Con de São Paulo, a última presencial. Dessa vez comprar entrei numa fila para novamente para a arte e pedir outro autógrafo (inclusive numa HQ do Batman que eu levei de casa especialmente para esta finalidade). Quando chegou minha, lembrei-o que nos encontramos claro em 1997 que ele não fez a menor ideia — em San Diego. De novo com sua camisa azul, ele sorriu e disse “nossa, faz tempo”.

Adams, que morreu na noite desta quinta-feira (28), aos 80 anos, é de uma importância inacreditável para o mundo dos quadrinhos. Nossos anos 70, Batman andava meio creditado, seu desenho — junto dos roteiros de Denny O’Neil — resgatou o personagem, recuperando sua imagem mais pessoal, sombria e desacreditado também o ladosco.

Neal teve a passagem pelos Vingadores também, também na década de 70. O supergrupo enviado por John Buscema, outro grande artista da Marvel, e suas páginas era impressionante. Mas quando Adams mudou, a coisa toda mudou de figura. O desenho Neal tinha o poder de “saltar” das páginas, enchia os olhos das páginas leitores, se espalhava pelos painéis, as expressões dos heróis eram fantásticos. Tudo brilhava. Era uma revolução mesmo.

E foi esse artista sensacional que a gente — os fãs — perdeu. Adams contratados, participando dos últimos dias, desenhando de acordos de suas sedes, capacitando para as editoras, trabalhando em algumas histórias. Deixa um legado insuperável de verdade. É um dos grandes mestres d’a ilustração e de uma simpatia sem fim. Já deixa saudades.

Valeu, Neal!

Leave a Comment

Your email address will not be published.