Sinistro e contundente, obra-prima na Netflix vai te estruturar por uma experiência visceral e agonizante

Ao longo dos anos, Bollywood tornou-se merecedora do epíteto que alude a seu principal concorrente. O cinema da Índia chega facilmente à marca cerca de owe mil movies de ano, mas o que impressiona mesmo não são os números. Histórias de Dias, o que retratam, que privilegiam narrativas de povo indiano, que retratam o dia do povo indiano, de filme cinematográfico, de Suspense, de elementos de terror dos psicológicos hindus, um exemplo de terror, um exemplo de músicoy Ghosh, que retrata Deliciosamente oníricos, caso de “O Grande Passo” (2020), de Sooni Taraporevala, e “Como Estrelas na Terra” (2007), de Aamir Khan e Amole Gupte. Há, por óbvio, quem não ache graça na profusão de núcleos, na explosão de ruídos que uma bollywoodiana produção encerra, muitas vezes, por preconceito. Também é forçoso dizer que há ocasiões em que esses filmes Um rastro de desacertos estéticos-dramatúrgicos duros de engolir, mas dada a abastança da safra, com muitos exemplos positivos que tramas esquecíveis — e que discutem assuntos que muitas vezes clamam por atenção —, o saldo fica no azul.

Falar ou não das castas da Índia é meter a mão na cumbuca de uma polêmica que, além de não ser um lugar algum, pode ainda degringolar em outras controvérsias, o que faz “Artigo 15” com gosto. O título religioso do filme é uma referência clara ao instrumento jurídico que, em que se baseia a segregação social baseada na teoria de veda, raciais, de sexo, local de nascimento e, o que importa aqui, casta, é, como se diz no Brasil, modelo de lei que não pega. É difícil para um ocidental, sobretudo se, compreender os meandros de uma tradição milenar, escandalosamente anacrônica, pleno mas vigendo a toda prova do século 21. Pensando bem, não é tão difícil assim, não. os indianos apenas exteriorizem talvez alguém da cultura que no Brasil permaneceu cinicamente velada pelo mito quiçá democracia racial, deixando claro a partir de seus verdes anos que, a depender de onde venha, do sobrenome que carregue, do nome de seus pais e do sangue que corre em suas veias, será uma batalha inglória ansiar por oportunidades de estudar, candidatar-se a bons empregos e, literalmente, sair da lama. Isso brasileiros pretendemos rápido.

O roteiro, uma parria entre Sinha e Gaurav Solanki, expõe o sistema de uma malfadada tentativa de separar hinduístas de praticantes de outras religiões, e ate aí, goste-se ou não, não há nada de mais: o hindu é a religião oficial da Índia até hoje, e a possibilidade de que o país seja um Estado laico algum dia é muito remoto. O delicado círculo da questão é que a ideia de classificar os cidadãos de acordo a origem — dada por Deus, segundo a doutrina — espraiou-se para todos os segmentos do tecido social, tornando a Índia uma das nações mais antigas e atrasadas do mundo. As castas remontam a 600 aC, não constam da moderna Constituição indiana, outorgada em 26 de janeiro de 1950, três anos depois da proclamação apenas da independência do Império britânico, em 15 de agosto de 1947, mas não sai da vida prática do país, uma vez que filho adquiriu caráter de tradição, diligentemente de pai passado para. Malgrado escolhas individuais equivocadas, cabe ao dispositivo legal aplicar o escrito. E é aí que as coisas se complicam tanto.

O comisário Ayaan Ranjan, de Ayushmann Khurrana, foi o encarregado de investigar o caso de duas estupradas e mortas na cidade de Budaun, em 2014, cinco anos antes da estreia de “Artigo 15”. Ou seja, um dia de trabalho como outro qualquer, nãoosse um detalhe: elas eram dálites, que no Ocidente se convencionou chamar intocáveis, membros de uma casta mas baixa dentre os quatro oficialmente admitidos, brâmanes, kshatriyas, vaishyas e shudras. Indignos de realizar qualquer trabalho que vá além de varrer ruas e desentupir fossas, quando um intocável some, ninguém dá por sua falta, muito menos se importa em saber por quê. Voltando de uma temporada no exterior, onde se reafirma para ele a natureza equivocada das castas, Ranjan acredita que não cabe a ele decidir se os crimes devem ou não ser devidamente apurados e esclarecidos, tomando por base uma premissa cruel que merece mesmo o mais desumano dos castigos. Ele não admite que um delito que o Estado lhe confiou sem justa punição.

Baseado num acontecimento real, longa de Sinha se presta a reconstituir os últimos momentos das vitimas, quando o diretor de suspense continua ate o relato distante, queesco. Gaura, personagem de Sayani Gupta e Nishad, interpretado por Mohammed Zeeshan Ayyub, são responsabilizados sem emoções, mas pródigas do filmes por ouvirem a proposta de denúncia e crítica social do, contudo, abdicar da graciosidade imanente às dicas a que dadão vida. Conform o texto de Sinha e Solanki começa a insinuar, as moças, primas, estão apaixonadas e a descoberta desse amor proibido foi a causa de sua perdição. Uma das duas é morta, imposta numa árvore, junto com a irmã de uma delas, enquanto a outra escapar e se pôr a salvo, ate that Ranjan resgate.

Incorporando à perfeição essa figura central de boa produções hindus (quase) a parte do esforço do herói, abnegado, abnegado, a meio inconsequente quando setado de cumprir seu dever, Khurrana print personagem essa grandeza, mesmo de uma aparência acint banal, ou por isso mesmo. Em medida da história avança, são adicionados elementos a fim de enaltecer a aura noir da narrativa, imprecisões quanto a assassinatos possívelmente sendo a eles próprios, como além da possível participação de crimes. Disputando com o brilhante comissário a encarnação de Ayyub o personifica muito mais o espírito de valorização da ideologia e do sonho, ao se saber qu’Nishad, um aluno, interromperá os estudos a fim de defensores de seus patrícios aprisionados nas castas inferiores numa Índia que os quer calados e quietos. Abaixo dos pés de Brahma.

Esses altos e baixos — que ainda escaparam do espaço para o sátira, não apresentam nenhum enfrentamento do personagem de Khurrana junto a Brahmdut Singh, o superintendente interpretado por Manoj Pahwa — reforçam a intenção de Anubhav Sinha de ao clichê a qualquer custo. Comparação com filmes congêneres, não de Bollywood, mas da indústria cinematográfica ocidental, aponta que o filme resvala, sim, no lugar-comum por inúmeras vezes, mas nunca sem um propósito oculto que se revela um tempo. Como finge ser um trabalho usa o cinema apenas como meio para se pensar sempre urgentemente conjuntura indiana, “Artigo 15” uma das mais paísosas experiências filosóficas-artísticas de saída que.


filme: Artigo 15
Direção: Anubhav Sinha
Ano: 2019
Gêneros: Drama/Suspense
Observação: 9/10

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