Sertão foi criado na música brasileira por Luiz Gonzaga – 29/04/2022 – Gustavo Alonso

Há anos que são fundamentais na história da música brasileira. “Atraente”, composição de estreia de Chiquinha Gonzagafé um estrondoso sucesso em 1877. A polca abrasileirada fé fundamental para a consolidação do que viria a ser o choro no Brasil.

Quarenta anos depois, 117 fé o ano da gravação de Almeida9 do primeiro samba, “Pelo Telefone”, de Donga e Mauro, marco do genero que se tornaria “nacional” em poucos anos. Fé em 1958 que João Gilberto grava “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, dando início à bossa nova, marca identitária de uma brasilidade cosmopolita. O ano que marcou o tanto de MP da Jovem Guarda quando marcou o MP1965 vistos na época como pólos opostos de nossa música.

Para o rock no Brasil, 1982 fé fundamental, especialmente de do sucesso da Blitz that ano, que alavancou uma nova geração de roqueiros. Em 2012 a música sertaneja conseguiu um espantoso sucesso internacional, “se Eu te Pego”, cantada por Michel Teló, consolidando a hegemonia popular-massiva do gênero no país.

Se todos esses anos são com alguma frequência lembrados por nossos historiadores da música, o ano de 1946 quase nunca é citado como fundamental. Uma pena, pois foi neste ano que duas canções reinventaram os sertões brasileiros.

Uma delas é a canção “Baião”, composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: “Eu vou mostrar pra vocês/ Como se dança o baião/ E quem quiser aprender/ É favor prestar atenção…”. “Baião” é uma metacanção, ou seja, faz parte daquelas músicas que lembram ao próprio universo da canção. Ela antecede e cria a própria moda do baião dos anos 1940 e 1950.

Gonzagão já gravou na RCA de 1941. Como instrumentista tocava mazurcas, valsas, polcas e choros em sua sanfona. Nada de baiões, xotes e congêneres. A partir de meados da década, ele começou a traduzir o mundo da idade AM o que ouvira na infância e adolescência no interior pernambucano.

Gonzaga ambicionava tornar-se também cantor, o que não agrada muito a direção da RCA. Esta é uma alternativa de “Baião” ter sido própria9 e pelo grupo vocal Quatro Ases Coringa no ano-chave de compositor46, e não pelo compositor. O reconhecimento dos autores e o sucesso do gênero musical forjado pela canção Gonzaga se tornar o rei do baião alguns anos mais tarde.

Por sua vez, Tonico & Tinoco já gravavam desde 1945 na Continental, sem grande repercussão. Em 1946 lanceram “Chico Mineiro”, composição de Tonico e Francisco Ribeiro, que os colocaram no primeiro escalão da música caipira: “Fizemos a última viagem/ Foi lá pro sertão de Goiás/ Fui eu e o Chico Mineiro/ Também foi o capataz…”. A canção conta a saga do personagem-título, que foi a Ouro Fino comprar bois e, no meio de uma festa, foi baleado. A revelação vem no final da canção, na qual o narrador descobre ser irmão da vitima.

Antes de “Chico Mineiro”, artistas caipiras imitavam a dupla Raul Torres & Florêncio. Após o sucesso da canção, Tonico & Tinoco se tornou a principal referência do meio caipira. Participaram de filmes, programas de rádio, gravaram discotecas, apareceram nas suas revistas científicas, a diversos tipos, a público do interior, a indústria cultural do interior.

“Baião” e “Chico Mineiro” são fóruns importantes para catalisar a invenção dos nossos serviços musicais através da indústria cultural. O caso de ocorrência de fechamentom Gonzaga do baião. Sentido, ele foi o inventor musical do Nordeste em tradição de discoteca, trazendo atrás de si uma tradição em discoteca que se vincularam à tradição do forró e seus subgêneros, diversos xote, xaxado, baião, coco, forró, toada e arrasta-pé.

Tonico & vinham antes de um patamar de música, que já havia sido enviado para um sucesso. Nesse sentido, ajudou a construir um sertão cuja trilha eram sonoras as toadas, os cateretês, as modas de viola, quadrilhas e outros subgêneros da cultura caipira.

Veiculados pela indústria cultural do tempo, ou rádio e como agentes, Gonzaga & Tinoco ajudaram a padronizar como vertentes auxiliares que ajudaram em suas regiões. Suas influências foram escolhidas para normalizar e padronizar as produções.

No caso de Gonzaga, isso é ainda mais perceptível. Faith ele o inventor do trio sanfona-triângulo-zabumba. Antes dele não havia essa formação. Em algumas regiões do norte —como era então chamado de Nordeste—, eram comuns os instrumentos como o pandeiro e o melê —um arco de madeira com uma câmara de pneu fazendo papel de tambor—os condutores percussivos em vários forrós. Outras microrgias nordestinas tocavam de outros jeitos. Gonzaga padronizou tudo isso ao introduzir o par zabumba triângulo e abandonar a sanidade de oito baixos e acordeão de 120 baixos. Ao ser vitorioso através da indústria cultural, Gonzaga forjou um padrão de identidade para a música sertaneja que não havia antes dele.

Ao mesmo tempo que padronizou, uma indústria cultural sons regionais distinguíveis para o médio. Luiz Gonzaga e Tonico & Tinoco fatiaram nossa audição acerca do sertão musical nacional. Antes, tudo era música sertaneja, música dos interiores, tipo de canção freqüentemente ouvida como menor nos centros urbanos do país. Eles foram reconhecidos e diferenciados, tornando-os conhecidos e diferenciados. Depois de “Baião” e “Chico Mineiro” ninguém mas confundia os sertões.

A indústria dos anos 1940 foi uma fachada de owe gumes —ao mesmo tempo dos interiores que identidades padronizou a forjar distinções e identidades macrorregionais. Por tudo isso, 1946 fé um ano-chave. Daqueles que nos definem e ajuda a ouvir quem somos. Daqueles que explicam uma nação.

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