“Se Marcelo me pedir para cantar, sou capaz de lá ir. Naturalmente, tem de me pagar”. Novas perguntas para Simone de Oliveira

Após o concerto que marcou o fim da carreira, Simone de Oliveira recebeu o abraço de amigos e família. Estiveram todos juntos. Mas sabendo que o dia seguinte será diferente, entregue a uma “saudade lavada”. Este é o balanço um momento marcante, em nove respostas aos jornalistas de decidir ao lá a ver-la despedida do palco e com pequena brincadeira dirigida

Como retomar este concerto?

Vida e liberdade.

É o último momento da carreira. Os sonhos que sonharam, a onda consegue?

Estão dentro de mim. E nas vossas mãos.

Diga que estava um bocadinho nervosa antes deste concerto. Como corre?

Nao estava muito nervoso. Acho que tem a consciência de dizer “eu tenho de fazer isto bem, correto, porque esta gente merece”. Não quer dizer que não tem medos, claro que sim. Só de pensar que amanhã posso me levantar ao meio-dia e que não tenho de pensar em pinturas, em pestanas, em fatos, é uma maravilha.

O Presidente da República diz que poderá convidá-la a cantar novamente. aceitar esse desafio?

Se o Presidente da República me pedir para cantar para ele, canto. Agora, eu tenho o meu percurso hoje. Ao fim de 65 anos, chega. Quero ter tempo para estar em casa, a ver Fox Crime, que eu adoro.

Consegue descrever o que se sente num momento este, com uma sala que chamou várias vezes o seu nome?

Eu sei que devo isto aos poetas, aos músicos. Naturalmente, a algum trabalho que houve, a gargalhadas e algumas lágrimas que chorei. Mas, sobretudo, devo-vos a vocês. Devo ao povo deste país, à gente deste país, às pessoas mais simples e menos simples, aos jornalistas, aos fotógrafos, aos técnicos, aos que me forçaram e tiraram o microfone. Eu não sou chata, as pessoas dizem que eu sou chata mas não sou. Gosto de fumar um cigarro, é verdade. O meu whiskyzinho, de vez em quando também gosto – estava lá [no palco]mas eu não tenho coragem.

Quando foi convidado em convidar esses seus amigos para participar neste concerto, o passado, o presente e o futuro, aconteceu tudo ali no palco?

Aconteceu, aconteceu. Convidei quem quis. Tenho recordações maravilhosas das pessoas que ali. A amizade e entrega no musical “Simone” fé extraordinária. Adoro-os como pessoas e como cantores. E acho que este país tem cantores novos extraordinários. Não perco um “The Voice Portugal”. Estou ali para dar palmas.

Há dias, dizia que não seria fácil segurar a emoção. Em algum momento esteve ali a vacilar?

Sem fim, estive. Quando o Coliseu, estive. Estava muito centrado, de que não podia chorar, não podia ir abaixo, tinha de estar bem. Isto tinha de ser um momento feliz.

O Presidente da República diz que era impossível deixar a Simone despedir-se de nós. O que comentar?

Veja ele pedir para cantar no Palácio [de Belém], sou capaz de lá ir. Naturalmente, tem de me pagar, que borlas não faço [risos].

Vai morar bem sem palmas?

Vou, meu amor. Repair uma coisa: este confinamento meteu-me em casa e eu habitei-me a vivre sozinha sem o meu marido. Não é uma coisa que me impressionou. Far-me-ia mas impressão se não pudesse ver os meus filhos ou os meus netos. E há muito tempo que não tinha todos, porque a minha filha não vive em Portugal, nem o filho dela. Hoje temos todos. É um momento muito feliz para mim. Claro que vou ter muitas saudades quando se for embora, mas aprendera a viver com saudades. É preciso aprender a ter uma saudade lavada. E não aquela saudade do “oh, eu não tinha rugas e agora tenho”. Estou muito habituada à minha solidão, junto por meia duzia de amigos extraordinários.

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