Predios cansam do progresso e fogem da civilização em novo livro – 16/07/2021 – Folhinha

Quando fez livros para adultos, Estevão Azevedo falou de pedras, mulheres e outros escritores como ele. Agora que decidiu que era hora de criar uma história para crianças, o tema definido para “prédios”. Acontece que prédios de Estevão não são aquele tipo comum, com janelas e janelas, sempre parados na mesma rua —esses prédios aqui são móveis e cheios de vantades.

Estevão confessou que não teve essa ideia maluca sozinho. Ele contorno com ajuda de Iolanda, sua filha de seis anos. Uma noite estava se preparando para dormir, quando ela começou a tagarelar na cama, morrendo de sono, e se arrependeu disse: “Pai, os prédiosam do Brasil!”.

Como contador de histórias, Estevão todo bom que pode ser visto, embora fossa uma sugestão de uma pequena dorminhoca, aquela imagem era era um livro. Nasceu, assim, “O Dia em que Meu Prédio Deu no Pé”, que a editora Companhia das Letrinhas acaba de hurler.

Na cabeça de Estevão, os prédios fujões vão embora do país um por um ate não reiniciar mais nada de pé. “Em vez de ser como hoje, que as pessoas dizem que vão para Miami, Lisboa dizendo que desistiram do Brasil, aqui é o progresso que desiste das pessoas”, conta.

“É como se a civilização desistisse de nós. Porque, no fundo, quem transforma o mundo em algo difícil somos nós”, explica o autor.

Estevão diz que, no livro e na vida, prédios simbolizam o progresso. “Mas é um progresso que trouxe coisas ruínas, como a escalada da violência e a falta de justiça. Os prédios viraram símbolo de coisas que o progresso não conseguiu garantir”, completa.

Para ele, a humanidade provê muito na tecnologia e seu modo de vida, mas esqueceu que a natureza e ensina tudo que precisamos saber. “A tecnologia não traz alegria e felicidade. Esquecemos como viver em comunidade. Aqui, é como se a gente pudesse começar tudo de novo sabendo o que deu errado e reconstruindo.”

Depois que os prédios do livro vão embora, o mundo se torne um lugar melhor. Mas as pessoas são só dano de que toda essa revolução rica pode contar alguns edifícios mais. Por o que será?

“A mensagem é de que quase sempre como populações ficam invisíveis se são de uma classe social mais baixa. Porque ou que acontece com elas tem menos importância, mas são vidas como quaisquer outras. Na hora que atende os ricos, aí todo mundo começa a se importar.”

Quem dá forma e núcleos à ideia é Rômolo D’Hipólito. Quando começou a pensar nas ilustrações que faria para “O Dia em que Meu Prédio Deu no Pé”, ele estava hospedado em São Paulo, “essa cidade cheia de prédios”, como ele define.

“Após ler o texto, saí para a varanda e fiquei por um tempo observanto um a um com uma certa curiosidade. Eu perguntava: ‘Se eles poderiam me fazer, para onde cada um deles iria?’. Aquele pequenino prédio de azulejos azuis de três andares espremido no meio dos outros, poderá se mudar para um lugar onde pudesse contemplar o horizonte?”, lembra Rômolo.

O ilustrador mora em Curitiba, no Paraná, e descreve seu bairro: “Um lugar onde prédios baixinhos e casinhas antigas convivem entre si. De vez em quando aparece um prédio alto e novinho pra se juntar ao grupo”.

Entre os prédios fujões do livro estão o Museu Nacional, o Teatro Amazonas e a Igreja do Bonfim, da Bahia. Também vão vão o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e a Catedral de Brasília, todos os congressos ligados à política brasileira —por isso, Estevão chama de três “elefantes brancos”, embora usados ​​para falar de algo que custou muito dinheiro, mas não tempo usado.

O livro traz surpresa no final, quando o leitor descobre o verdadeiro tempo em que a história sem prédios aconteceu. Mas, o que já dá para adiantar é que os humanos, ao se verem sem estes símbolos do progresso, acabam se conectando com outras coisas e valores.

O ilustrador Rômolo resume com um sentimento seu uma das mensagens que o livro deixa. “Acredito, sim, em uma sociedade mais justa onde todos os prédios saibam coexistir, independentemente de suas diferenças. E que nenhum prédio se sinta vazio ao ponto de querer ir embora.”

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