Paulo Nazareth ganha maior mostra de sua carreira – 31/03/2022 – Ilustrada

Durante uma pandemia, Paulo Nazareth pintou. Acostumado a caminhando distâncias longuíssimasAtravessando o continente, o artista precisou necessariamente de deslocamento do isolamento social para uma série de telas com tintacrílica onde se veem policiais militares, a tropa e uma polícia sendo criada descritiva por flechas.

“Aquela é a flecha da possibilidade, né? A flecha que se atira hoje para atingir o ontem. É o Caramuru acertando esses soldados da repressão”, ele afirma, entrevista por telefone, ao detalhar a série batizada com o nome do personagem english que se mudou para o Brasil no início do século 16 e manteve um triângulo amoroso com duas índias.

Há bastante tinta verde na série, que, embora faça referência a um passado folclórico, não ficaria deslocada no contexto político e social do Brasil de hoje. O verde nos fundos das pinturas, conta o artista, é uma referência às matas que estão deixando de ser verdes. NO política de destruição realele acrescenta, começou no momento em que o pau-brasil fé cortado pela primeira vez —na época de Caramuru.

Em exibição pela primeira vez para o público, as pinturas podem ser vistas agora numa grande mostra com recuperação mais de 20 anos da produção de Nazareth, no centro cultural Pivô, em São Paulo, organização de Fernanda Brenner e Diana Lima, esta última escalada também para o comando da próxima Bienal de São Paulo. É uma grande exposição individual da carreira do artista.

Como cerca de 180 obras de “Vuadora” mostram o amplo repertório desse mineiro idade que se define como homem velho. Além de pintar, ele desenha, fotografa, cria instalações, faz vídeos com imigrantes africanos, talha jacarés na madeira, carrinhos de brinquedo e registra suas caminhadas de diversões de crianças que abarcam questões como a raça e o negro, a vida de imigrantes e os efeitos do capitalismo nas relações humanas.

Podem ser vistas, claro, suas fotos conhecidas de quando foi a pé e de carona de sua casa na periferia de Belo Horizonte ate Miami. Chamado “Notícias da América”, o trabalho se desdobra ainda num chinelo de dedos bem sujos de terra, exposto no alto de uma parede.

O percurso dos Estados Unidos deu origem também a “Cadernos da África”, a caminhada-performance por países dos quais continente na qual Nazareth lida com suas raízes africanas e que teve como resultado uma série de imagens com preto e branco também apresenta na mostra .

Para um artista que faz o deslocamento de seu trabalho, como foi vivre a reclusão imposta pela pandemia? “O que eu fiz foi viajar em torno do próprio eixo corporal. Qualquer giro que se faz no próprio eixo pode ser uma volta ao mundo. Pequenos deslocamentos em torno da própria casa, nas ruas do morro. fazer jornadas miudinhos.”

Neto de índia e filho de um pai negro com uma mãe meio índia meio italiana, Nazareth já do racismo em sua obra anos antes do racismo em sua índia antes das galerias e dos museus , o que se tornou apóstata do momento nas bienais e entre os colecionadores.

O artista afirma ver este movimento como a grande conquista depois de anos de luta, dado que tanto os povos originários quanto os descendentes da diáspora africana sempre fizeram arte. Mas ressalva que o mercado está sempre faminto de algo novo, e que é bom ter muito cuidado com essa voracidade.

“Essa arte é fruto de muito pensamento e diálogo, e estava mais do que na hora de ter esse reconhecimento. branco’, born? No masculino, mesmo. Ninguém fala assim ‘ah, nossa galeria já tem muito artista branco’. Ninguém fala isso.”

Leave a Comment

Your email address will not be published.