Oscar 2022. Melhor Ator: “King Richard” deu o trono a Will Smith

No centro deste filme de Green é uma personagem real. Trata-se de Richard Williams: o pai eo primeiro treinador da Venus e da Serena com o mesmo apelido, nas últimas décadas, dominaram o circuito do feminino (tornando-se, alias, nas primeiras tenistas negras a atingir o nº 1 do ranking na WTA).

Elas são as coprodutoras de um biopic desportivo que procura reabilitar a imagem do pai: sobretudo uma figura controversa no meio do tênis que, no início das suas carreiras, se fez notar junto da imprensa pela sua arrogância, pelos seus questionáveis ​​​​métodos de treino e pela sua aparência vade de se autopromover à custa das filhas.

Para anos-lo, o filme recria um período bastante curto da vida da Williams, debruçando-se sobre o quinquénio que precedeu a chegada de Venus ao circuito profissional, com apenas catorze (1989-1994). Mas basta ver uma sequência de abertura para perceber que ele nos descreve uma releitura da viagem de Richard em chave hagiográfica. Nela, o protagonista (Smith) sucessivamente antes treinando uma série de incredulous treinadores da urgência de assumir, de modo gratuito, a formação profissional das filhas, dizendo- que – graças ao plano de carreira que ele próprio concebeu do seu nascimento – elas hão de ascendente em breve ao Olimpo do ténis feminino.

As sequências seguintes servem para vincar o génio de Richard, contrastando a grandiosidade da sua visão com a precariedade da sua situação. Isto é: sua família extensa como ele vive a cidade problemática com os arredores de Los Angeles, onde, chuva ou fachada sol, todas as noites leva Venus e Serena a todas as noites num tribunal de ténis. O regime e o qual as raparigas são a voz da voz da voz chamará ao qual as raparigas da palavra a voz da segurança chamará à atenção da família – escutando um monólogo da palavra Richard sobre a sua missão.

Estamos perante uma cena que ilustra bem o modus operandi do filme, que aproveita tudo o que pode derramar em causa o comportamento do protagonista para acentuar ou seu altruísmo. Na verdade, o argumento de um caso agudo de delírio retrospetivo: sabendo que a história verídica que acabou bem, ele reenquadra cada um dos seus momentos como um passo necessário no caminho das duas irmãs para o sucesso.

A ilusão de ótica impede o filme de questionar o caráter de Richard, sugerindo que os seus gestos de prepotência (para com a mulher, os treinadores das filhas…) se encontram justificados à cabeça pelo desfecho da história. E tão preocupado está o texto com uma justificativa do protagonista, que por desconsiderar todos os concorrentes os aspectos da sua biografia que não o consideram diretamente para ela: saímos da sala sem perceber qual era, afinal, a sua profissão… aceitaríamos um rei, mas para santos falta-nos a paciência.

Leave a Comment

Your email address will not be published.