Os “bicharocos” que o escritor Valter Hugo Mãe desenha nos intervalos dos livros

Na Póvoa de Varzim nasceu um Museu de Arte Contemporânea. O primeiro passo foi dado ontem com uma exposição de desenho que foi inaugurada na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. O artista, é também escritor. Valter Hugo Mãe livros deu a conhecer os desenhos que fez enquanto escreveu um dos seus últimos

“Parece um pássaro, mas é um pirilampo ou um louva-a-deus” é o nome da exposição que reúne os desenhos que o autor fez enquanto escrevia o livro “Contramim”. Editado em 2020 pela Porto Editora, a obra é um dos livros mais autobiográficos de Valter Hugo Mãe.

Em Renascença, o autor explicou que os desenhos são “muitas das vezes nos impasses”, mas admitiu que “também nas fúrias” que acontecem enquanto escreve. Desenhar tem por isso esse lado terapêutico assuma o escritor que sempre desenhou desde criança.

Em fundo preto, os traços a branco ou vermelho são na descrição de Valter Hugo Mãe, “bicharocos” que o ajuda a “domesticar” para que regressar à escrita.

E se está sentado ao lado de Hugo Mãe escreve, que é deitado que os desenhos nascem. O autor diz que não gosta de interromper a escrita com caminhadas ou outro tipo de distrações, confessa que prefere estimar o corpo na cama.

“Estes desenhos vão acontecer todos instantaneamente em que me deito, e estou nas minhas almofadas alongadas, na minha cama. Pego nos cadernos ou lado que são sempre pequenos e procurar alguma coisa que não me obrigue a desviar a atenção do livro”, explica o escritor sobre este seu outro criativo.

Admite que não se revê como artista, diz de si que é sem dúvida um escritor. Expor estes desenhos “íntimos”, como os descritos, foi de certa forma “colocar a nu” um lado pessoal. “Não tenho a consciência absoluta do desenho que fiz, não o domino por completo” explica o autor perante as obras agora expostas em quadros e em telas gigantes na biblioteca da Póvoa de Varzim.

Esta exposição é uma marca ou pontapé de saída que será o projeto do futuro Museu de Arte Contemporânea da Póvoa de Varzim. O seu mentor é Tomás Carneiro, o curador da exposição de Valter Hugo Mãe que vislumbrou no Renascença explicou que ajudou é começar a juntar um espólio de arte, através de diversas exposições, para um dia mais tarde a autarquia poder ter argumentos para edificar o museu.

A exposição de Valter Hugo Mãe, organizada há meses pelo Festival Literário Correntes d’Escritas pode ser visitada nos próximos.

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