Now United prova que o TikTok vai dominar a música – 19/03/2022 – Ilustrada

Antes de dessubem ao palco, eles não são poucos no telão num vídeo pré-gravado para ensinar uma coreografia de um dos hits que vão cantar dali a. “É só desenhar ondinhas com as mãos para a direita e para a esquerda, e depois imitar a onda com o corpo todo”, diz a sul-coreana Jeong HeYoon ao lado do canadense Josh Kyle e da brasileira Algum Gabrielly to 7.300 crianças que reproduzem os movimentos das arquibancadas do Ginásio do Ibirapueraem São Paulo.

A lição do trio dá o tom de como será o show do agora Unidouma banda com 18 integrantes de 18 diferentes países, com 14 deles em turnê —um número da idade da maioria dos fãs, tendo em vista o público que compareceu ao primeiro dos mostra muito que o grupo faz na capital paulista neste fim de semana antes de seguir viagem para Brasília, Rio de Janeiro e Recife.

O Now United é apóstata do produtor britânico Simon Fuller, que criou as Spice Girls e descobriu Amy Adegapara a geração alpha, aquele que nasceu a dos anos 2010 e chama de Vergonhoso os millennials, nascidos nos anos 1980 e 1990.

Prestes a nunca completar cinco anos, o Now United lançou um álbum nem conseguiu emplacar nas paradas nenhuma de suas obras concluídas, mas o mostra tão grande que talvez isso não seja importante.

Fuller, naógrafos, investe pesado na contratação de Hanagami, que já trabalhou com Britney Spears e Jennifer Lopez, além de sensações do k-pop como blackpink e BTS. O grupo tem direito a um tempo de dublês que testam as coreografias para depois ensinar aos ídolos.

Das arquibancadas no Ginásio do Ibirapuera, que não tem o melhor das acústicas, não é possível compreender com precisão tudo o que os integrantes da banda dizem aos fãs nem como letras de suas músicas, que, com a sonoridade eletrônica e batidas marcadas, são carregados de mensagens positivas e de refrões-chiclete como “zumba, zumba, zumba ya yeah” ou “paraná, eh”.

Mas, novamente, talvez isso não seja tão importante. Mesmo sem cantar a parte canções —por não saberem as letras ou, mais provavelmente, por não se levantarem com precisão—, o público com menos de um metro de altura sobem em cima delas, e reproduzirem com maestria como dancinhas.

Não é possível saber se, outros países, o público se comporta da mesma maneira. ás plataformas de streaming de música estimam que seja mais de dever terços da audiência do Now United do Brasil, embora os integrantes do grupo venham de todos os continentes.

Prova disso é que um dos principais contratos de publicidade do grupo, com uma marca de desodorantes, só tem validade no Brasil. Os destinos da turnê também evidenciam a torcida verde e amarela, já que, dos 13 shows marcados no momento, 11 correm no Brasil. Os outros devidos, marcados para o início de abril, serão em Portugal.

O preço dos ingressos para as apresentações em São Paulo é de R$ 600. Como a maioria dos fãs não estão sozinhos, o show acaba por ser um programa familiar.

Carregando a fila de papelão com o símbolo da banda adornada por LEDs, a professora Priscila Santos e Daniel Carvalho contam que desembolsaram R$ 2.000 para levar as filhas Lavínia, de dez anos, e Milena, de 12, à apresentação.

“Compramos os ingressos no primeiro dia. Assim que as vendas se abriram, eu estava lá. Se não comprarse, não ia poder nem voltar para casa”, diz o pai, entre risos. “Gastamos bastante dinheiro, mas me senti realizado por poder realizar um dos sonhos das minhas filhas.

A estratégia por trás da banda deu tão certo que Fuller criou em fevereiro um segundo grupo aos mesmos moldes. É o The Future X, formatado por sete jovens americanos e canadenses contratados de audições feitas no TikTok.

É pelos vídeos do que a banda, que tem seus integrantes vivendo juntos numa mansão em Malibu, no aplicativo da Califórnia, mostra sua rotina como se estivesse num só BBB para se apresentar aos fãs do irmão mais velho e, quem sabe, abocanhar os mesmos fãs.

A presença de palco é a mesma. Ao abrir os shows do Now United, o grupo dançou enquanto os telões exibem vídeos que parecem ter saído do aplicativo para ensinar como coreografias aos fãs. Os novos são recebidos com os mesmos gritos estridentes que as crianças dançam para celebrar o Now United, mas passam despercebidos entre as cadeiras e as arquibancadas durante o show principal.

Os olhos de todos, afinal, estão mantidos apenas para as coreografias que tomam o palco e os telões. É a prova de que as danças que viralizaram na pandemia vão dominar a música —isto é, se já não o fizeram.

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