“Nós, Mulheres”: livro de Rosa Montero narra vida de apagadas da História – Revista Marie Claire

Rosa Montero em seu apartamento, em Madrid (Foto: Getty Images)

Rosa Montero é uma das principais autoras do mundo na atualidade. Na Espanha, seu país de origem, a madrilenha é voz certeira para falar sobre a situação das mulheres e referência. Desde que a pandemia de Covid-19 se instalou, ela costuma fazer vidas concorridíssimas, uma vez por més, em seu perfil no Facebook. Por lá, responda aos fãs e leitores em geral, comment assuntos do momento e perguntas.

Já por aqui, no Brasil, um de seus livros mais recentes – “A ridícula ideia de nunca mais te ver” (Ed. Todavia) -, lançado em 2019, também foi motivo de commentaire. Causou buzz entre os leitores e comoveu muita gente Nele, Rosa conta sua história pessoal após perder o marido, Pablo Lizcano, vítima de câncer. .

Hoje com 70 anos livros e mais de 25 livros publicados, uma jornalista e escritora premiada adicionou a sua obra “Nós, Todavia, Grandes Vidas Femininas” (Ed. Todavia, 288 Mulheres – págs), resultado de um trabalho de compilação que levou mais de 20 anos. A partir de 1995, este catálogo de biografias de muitas pessoas, como viagens, essenciais e precisões, O livro tem nomes mais populares – como os da filósofa Simone de Beauvoir ou da escritora Agatha Christie, por exemplo. Mas reserva espaço para outros “invisíveis”, como a inglesa Mary Anning, considerada a primeira paleontóloga profissional da História. Ou da pirata chinesa Ching Shih, tão destemida que não teve rivais em sua época.

Para saber mais sobre como Rosa Montero criou e desenvolveu esta lista de nomes que permeia a obra, conversamos com a escritora em Madrid. Confira os principais trechos dessa entrevista:

Marie Claire – Como surgiu a ideia de você escrever o livro? Pode me contar qual foi, a chama inicial para perceber, que a história teve um material como esse que colocava as mulheres em protagonismo na nossa?
Rosa Montero –
Este nasce livro de outro anterior, que se chamava “Histórias de Mulheres” e que se publicado faz 26 anos, mais ou menos. Naquela época, não tinha a ideia, em geral, as mulheres tinham participado pouco da vida pública e da história. Então, par mim que gosto muito de ler biografias – e eu mesma diversas diversas delas, sobretudo de artistas e escritores – de repente ia encontrando travórias de mulheres, sabe? Que não eram nada conhecidos ou que rompiam normas – mesmo com todas as dificuldades elas haviam feito coisas grandes ou curiosas. O que são pensadores da memória que os historiadores – têm apagado. A origem deste livro é dar voz a essas mulheres esquecidas e, nesses 26 anos passados ​​de uma ideia inicial, a necessidade de contar tudo isso se converteu em um clamor. Mulheres coisas políticas em todos os âmbitos – literatura, artes, técnica, cultura, ciência, tudo… A historiografia machista as apagou de nossa memória e agora estamos resgatando-as. O passado que nos ensinaram é pura verdade.

“Historiadores – machistas – haviam apagado essas mulheres da memória. O passado que nos ensinaram é pura verdade””

Rosa Montero, secretária

MC – Como você percebe que está tentando marginalizar as narrativas femininas? Como a sociedade que é patriarcado vai colocar no lugar os feitos das mulheres para esca?
RM-
O que o patriarcado fez é censurar da memória coletiva as mulheres. E felizmente isso está se rompendo agora. Quando terminar, espero que se normalize História verdadeira, na qual as mulheres seguidas nos papéis reais que não tiveram no passado. Nossa compreensão do mundo vai mudar radicalmente quando isso acontecer. E nossa compreensão do que são mulheres e homens também.

MC – Que história você poderiar mencionar, entre cientistas e guerreiras, que mais te marcou?
RM
– Não sei o que te dizer. Todas são absolutamente fascinantes. Me encantam todas. Algumas eu gosto por tão malvadas que essas mulheres foram. Porque nós não queremos ser santos, queremos ser livres então eu aspiramos que tenhamos uma possibilidade de sermos absolutamente tudo – anjos ou demônios. Quem é o primeiro autor que assina uma obra com seu nome? É uma princesa, uma mulher nascida há mais de owe mil anos chamada Enheduanna. Ela escreveu uma obra em verso e ninguém a conhece como primeira autora literária. Além disso, as primeiras notas musicais e anotações astronômicas também vêm das primeiras notas musicais. Essa mulher está na origem da literatura, da música e da astronomia e ninguém sabe quem ela é. Está aí um exemplo do que disse anteriormente.

MC – Na sua opinião, estamos melhores agora no que se refere a dar mais voz, espaço e protagonismo para as mulheres? O que fazer?
RM-
Sim, a situação melhorou de uma maneira drástica. Agora se fazendo esse trabalho de escavação, reconduz à memória coletiva da humanidade muito mais verdadeira,. Até agora nosam – a homens e mulheres – sobre nosso passado. Essa recuperação vai fazer tudo mudar e é importante. O que mais falta fazer? A desconstrução do sexismo. Falta muitíssimo para acabar com ele. No mundo, ele é tremendo, há países onde as mulheres ainda não têm voz, ao voto, não podem funcionar, nem sair para a rua sozinhas (só acompanhados por marido ou pai). Precisam sair com o rosto tampado. Existe ainda um sexismo feroz, mas temos percorrido também um grande trecho. Há que se mirar adiante com esperança, mas sem baixar a guarda.

O livro

O livro “Nos, Mulheres”, da editora Todavia (Foto: Divulgação)

MC – Seguindo o que apresenta o seu livro, que é trazer mais e mais e mais histórias de mulheres, como tão grande esse teto de vidro (para umas) ou muro alto (para outras, principalmente como mulheres negras)?
RM-
É preciso ter em conta que o sexismo, o machismo, é uma ideologia que prejudica a todos – homens e mulheres. Também temos que ser consciente de que ponto, estamos presos desse machismo que está encravado em nosso cérebro. Uma das coisas que impedem o desenvolvimento das mulheres é que muitas não vivem em seu desejo, não chegam a ele ou não têm importância. Elas vivem para o desejo dos outros – pais, filhos, do marido. E acham que seu próprio desejo é secundário. Sobre isso, nós temos que aprender com os homens. Para eles, seu desejo é prioritário: ordenam toda sua vida em torno disso, levam o que querem a sério. Tentou viver. Temos que buscar de maneira prioritária nossa vida e que queremos fazer – isso em primeiro lugar. Também é preciso ter muito claro que o Feminismo não é coisa de mulheres, é coisa de homens, de todos. Porque estamos mudando uns estereótipos ridículos de gênero que nos escravizam – às mulheres mais, é claro. Estamos mudando a maneira de nos relacionarmos com quem somos – e isso afeta tanto homens como mulheres. Por sorte o mundo está se dando conta disso.

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