Não chamem vencidas às que morrem, pede Anne Boyer | Livros

Como conjugar na mesma frase “eu” e “cancro”? Para o poeta e ensaísta Anne Boyer na primeira dificuldade diante do diagnóstico talvez tenha sido com a linguagem. Nao era o clichê da falta de palavras. Era mais do que isso: era como se a doença transformasse uma identidade individual a um tornar-se irreconhecível. “O câncer da mama convive com o ‘eu’ mal poderia ‘falar deste assunto terrível’ e oferecer ‘este relato deplorável”, escreve no prefácio socorrendo-se de testemunhos de outras que, antes dela, se confrontaram com uma mesma confusão. Audre Lorde, Jacqueline Susann, Charlotte Perkins Gilman, Katty Archer, Susan Sontag. “Este ‘eu é por vezes aniquilado pelo cancro, mas outras vezes é aniquilado de antemão pela pessoa que o pronome denota, quer pelo suicídio quer por suicídio e por um suicídio que não que ‘eu’ se ‘cancro’ se conjugate unidade de pensamento .”

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