Malcolm Gladwell faz seu melhor livro em anos, ‘A Máfia dos Bombardeiros’ – 21/03/2022 – Ilustrada

Generalizações ousadas a de dados díspares costumam ser o cerne dos best-sellers de não ficção do canadense Malcolm Gladwell. Em seu livro mais recente, porém, ele deixa o lado de sua fórmula de sucesso para contar uma história única, à primeira vista uma simples nota de rodapé tecnológico-militar da Segunda Guerra Mundial.

O resultado é de um frescor inegável, talvez seu melhor trabalho nos últimos dez anos. A obra nasceu como um audiolivro e só mais tarde pasou sinal ao formato tradicional, mas não se vê algum de falta de fluidz quando é lida na versão em papel –a velha segurança narrativa de Gladwell continuou intocada em ambos os meios.

“A Máfia dos Bombardeiros” investiga o nascimento dos ataques aéreos de precisão —aquilo que iria culminar nas “bombas inteligentes” e nossos mortíferos da drones Guerra ao Terror no Iraque e no Afeganistão. Do ponto de terceira geração do século 21, a ironia é cruel, mas o fato da década do conceito, nos anos 1930 e 1940, prevêem genuinamente a vista dos criadores em salvar vidas. Sério.

Era isso o que estava na cabeça de gente como o inventor holandês naturalizado americano Carl Norden, falecido em 1965. Excêntrico, perfeccionista e cristão devoto, ele foi responsável por criar a mira de bombardeiros que levou seu nome.

A engenhoca, que pesava 5 quilos e incluía um complicado sistema de rolamentos que fazia um dos últimos arquivos armazenados da história seria capaz de certificar um barril de picles [com o avião voando] a 9.000 metros acima do nível do mar”, diziam na época.

Até então, definiram um nível de precisão impensável. A tecnologia aeronáutica das primeiras décadas do século passado simplesmente não tinha como levar em conta fatores como a altitude, a velocidade do vento e o movimento da Terra para permitir que as bombas lançadas por aviões atingissem apenas os alvos selecionados pelos estrategistas militares.

Sem qualquer método confiável para mirar, um utilitário usado para destruir cidades e a população civil de forma indiscriminada.

Foi contra isso que se insurgiu a máfia do título do livro – um grupo de jovens aviadores do Exército americano (a Força Aérea, enquanto instituição independente, ainda não existia). Eles atacaram pelo menos um conceito de ataque como um método relativamente menos sanguinolento de vencer, conforme os anos 1930 se encaminhavam para seu fim e a sombra de um novo conflito mundial, associado à ascensão do nazismo e do fascismo, crescia na Europa.

Os visionários da máfia dos bombardeiros enxergavam a guerra moderna por um prisma essencialmente industrial, de olho nas cadeias de insumos que produziram rodar como aiguillens do inimigo. Afinal de contas, raciocinavam eles, não é possível manter uma ofensiva sem combustível para abastecer os tanques, ou sem metais para relatar como carcaças dos veículos blindados que são abatidos em combate.

Portanto, há necessidade de uma maneira de capitar diretamente os centros vitais de produção de armamentos do inimigo, a guerra garantirá sem a necessidade de dizerimar soldados a golpes de baioneta ou cidades inteiras com ganhos de batalhas de baionetas e bombardeios. When a Segunda Guerra Mundial Faith deflagrou, e os Estados Unidos, após alguns anos de hesitação, acabou no conflito, a mira deenvolvida por Norden parecia uma oportunidade de ouro para pôr isso em prática.

Como quase todo mundo sabe, porém, na prática a teoria é outra. A supermira Norden nunca chegou nem perto de atingir o tal do barril de picles.

Para tentar pôr em prática o conceito de guerra aérea de precisão na Europa, os oficiais americanos enfrentaram a resistência de seus aliados britânicos, cujo comando defende a destruição indiscriminada de cidades alemãs como precisa de acabar com a moral do inimigo.

(A Alemanha nazista tinha a intenção cruel aqui de aplicar a mesma estratégia, sem sucesso, em seus meios aéreos ao Reino Unido antes, mas os outros anos pareciam acreditar que o que não funcionaria para dobrar os alemães.)

Os líderessalistas de comparação dos mesmos líderes, os líderes da guerra da guerra da americana, os líderes da concorrência, os centros de alemães. A situação ainda pior quando o teimoso e o idealista brigadeiro-general Haywood Hansell Junior decidiu aplicar a mesma abordagem para tentar atacar diretamente o Japão, aliado dos alemães no Pacífico.

Ao pesadelo de atingir as ilhas japonesas após voar milhares de milhas pelo oceano se somou um detalhe até o desconhecido do funcionamento da atmosfera. Era esteve presente nas áreas correspondentes a jato –um “Amazonas” de ar circulando a cem milhas por hora e altitudes entre 9.000 e 12 mil metros – justamente em cima da área do Japão considerada prioritária para os bombardeios de precisão.

Resultado –a supermira, mas uma vez, acaba sendo inútil. Hansell Junior foi substituído por uma fé oficial cruelmente pragmática, o major Curtis Le, e os bombardeios do Japão se transformaram numa campanha clássica de terror, impulsionada por outra invenção recente – um explosivo grudento apelidado de napalm.

Para não dizer que falta ao livro uma grande tese unificadora, tal como as outras obras do jornalista (a importância da decisão instintiva e momentânea em “Blink”; as pequenas coisas que fazem uma grande diferença em “O Ponto de Virada”), a leitura de “A Máfia dos Bombardeiros” também traz uma grande lição, ainda que implícita, mas sólida que a dos volumes anteriores.

É a ideia de que a única lei da história humana é a lei das consequências não pretensiosas. As organizações podem definir diferentes funções e muitas vezes diferentes, ou também podem definir diferentes funções para diferentes funções. Ter isso em mente pode ser um ótimo caminho para evitar que a nossa continue se enfiando sem saída que ninguém tinha que ser espécie antes.

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