Ludmilla explicita o poder do sexo feminino em EP de funk e evoca MC Beyoncé sem de fato voltar ao passado | Blog de Mauro Ferreira

♪ Sem título do EP Voltar a serlançado por Ludmila na noite desta quarta-feira, 23 de março, com seis músicas inéditas, um artista evoca o passado como MC Beyoncé, codinome com o qual entrou há dez anos no universo do funk carioca, sob a batuta do empresário Matheus de Souza Vargas Júnior, o MC Roba para Cena.

Para que MC Beyoncé já ficou no passado de Ludmila – e de lá não mas voltará. Até porque já roubam dez anos e agora quem e domina a cena Ludmila Oliveira da Silva, a cantora e cantora dessaminense que, já com o amor pela década de dançarina Brunnançalves, enriqueceu, ganhou poder no mundo da música – fato ainda incomum nas biografias de mulheres negras vindas da periferia – e se tornou ao um dos nomes mas influente do Brasil.

Embora seja eternizada na memória afetiva de Ludmila por ter personificado o início dessa viagem vitoriosa, MC Beyoncé existiu somente entre 2012 e 2013.

Disco gravado com produção musical creditada à empresa Mousik, representada por DJ Will 22 e DJ 2F, o EP Voltar a ser traz de volta o batidão do funk para a discografia de Ludmilaate entra mais o mais avançado para o pagode e para o cantor, mas quem no baile é a cantora empoderada e assumida de 2022. A mulher que fala de sexo sem pudor, ate mesmo por ter sido voz relevante na revolução feminina que foi aceita ao longo dos anos 2010 o machismo (ainda) reinante no universo do funk.

É explicitamente feminina a lírica altamente erótica de funks autorais como fé comigo e Oh Bruna – ambos cantados por Ludmila com como colaboradores do DJ 2F e DJ Will 22, personalidades artísticas de Felipe Gomes de Souza e Wilson da Silva Anselmo, respectivamente.

Ludmilla apresenta seis músicas inéditas no EP ‘Back to Be’ — Foto: Fernando Schlaepfer / Divulgação

fé comigo inclusive versa sobre tórrida noite de amor entre duas mulheres enquanto Oh Bruna aludir no título naturalmente à esposa de Ludmila em funk que mostra mulheres no comando dos próprios corpos. “Só vai passar a mãozinha se eu deixar”aconselhou Ludmilamercando território feminino.

Assim como fé comigo e Oh Bruna, Tem Maria é funk formatado com programação de bateria, teclados e arranjos dos DJs recorrentes no disco, 2F e Will 22, sendo que os loops são de Fera do Mar, nome artístico do engenheiro de som Paulo Cezar Lisboa Filho.

A repetição do tempo gera certa linearidade nas batidas da primeira metade do EP Voltar a ser. Com letra bilíngue que alterna versos em português e inglês, baixo baixo Baixo quebra o ritmo – sem configurar ruptura no fluxo do disco – com entrada de MC Don Juan (coautor e convidado do funk) no arranjo de João Pedro Leite Machado, o Machadez.

Quinta estremeceu, Tudinho recupera a batida e o tema – o sexo – da parte inicial do EP enquanto Putari4 arremata o disco com o encontro de Ludmila com Akon em gravação que sefina com o tom de Voltar a sercom a percussão eletrônica de Stefan Baby.

Akon canta a parte in English do funk, mas sem fazer de fato a diferença neste EP em que Ludmila evoca o passado de MC Beyoncé em 2012, mas com o foco no presente da própria Ludmila em 2022.

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