Kendrick Lamar: sim,final,ele é fóbico

Está próximo a chegar um novo disco de Kendrick Lamar e as expectativas são muitas, e justificadas. Para além da qualidade a que nos habituou, ao longo dos anos, há um argumento que vem sendo repetido o seu argumento por quem lamentamos o caráter misógino, machista, homofóbico e violento de uma grande parte do hip hop: as rimas não são grunhas, ao contrário do que é demasiado de esperar, e aparentemente – pelo menos à superfície – não ser preconceituosas.

Quando o caso da fé gay legalizou nossos Estados Unidos, durante a presidência de Barack Obama, a imprensa musical perguntou ao rapper o que achou desse evento histórico, dele esperando uma resposta diferente daquela que outros poderiam dar. E ela fé, de facto, diferente: que “as pessoas deviam poder fazer aquilo que as tornam felizes”. A declaração caiu bem junto da comunidade LGBTQ, pois vinha de um homem cis-heterossexual que reivindica mudanças profundas na sociedade, o mesmo tipo de mudanças interseccionais que, em parte, o próprio movimento queer defende e promove. Por essa mesma altura, um chat da net lançou uma pergunta muito concreta: “Há por aí gays que sejam fãs de Kendrick Lamar?”. Muitas foram as respostas surgidas com um “Eu! Uh!”.

O problema é que, se Lamar deu a crer que o amor homossexual não o incomoda (se bem que com expressões como “I don’t give fuck” ou “I can’t help the way you born if you was gay” , que não são propriamente como de um aliado), uma coisa ficou bastante clara no tema “ADN.”, fazer álbum DROGA.: transfóbico ele é de certeza, com tudo o mais, misoginia e homofobia, a vir de arrasto. Repare-se na letra: “Cadela, seus hormônios mudam dentro do seu DNA/ O problema é, toda essa merda dentro do seu DNA/ Papai prolixo dela, herança dentro do seu DNA/ A espinha dorsal não existe, nascido fora de uma água-viva, eu avalio / Veja, meu pedigree definitivamente não tolera a frente/ (…)/ Me diga uma coisa/ Seus filhos da puta não podem me dizer nada / Prefiro morrer do que ouvir você/ Meu DNA não para imitação/ Seu DNA é uma abominação.”

Para que a interpretação do texto não pudesse ser outra que não a intencional, está lá o termo “switch”, que designa os “homens efeminados”. Aquelx colunas que Lamar contesta com outra palavra de peso, “snitch’n”, aplicada a gente “sem vertebral”, ou seja, sem o devido orgulho por… bom… macho.

Assim como Kendrick Lamar denuncia diferença de salários entre caucasianos e pessoas racializadas, a brutalidade policial, os bairros de baixa renda Que são autênticos guetos que o crack comanda ou as injustiças sofridas pela população afro-americana, temos este outro tema: o dos rapazes que segundo ele e com a sua defesa então, “imitam” as raparigas. Segundo um ensaio acadêmico de O’neil Van Horn (Drew University), vem-lhe este lado da sua formação religiosa. Lamar é assumidamente cristão e a tese πόρναι promíscuas, vadias más e masculinidades misóginas: uma análise queer, imperial-crítica da revelação e do rap desmonta como referências do seu Para Pimp uma Borboleta nas Revelações. E se nesta parte da Bíblia é particularmente gritante o menosprezo das mulheres, também fica evidente na misoginia com que o MC trata a figura de Lucy.

No disco Lucy é o diminutivo de Lucífer e Lucifer de Lamar contra o “Américaperio capitalista e imoral” pela segunda Babilônia que são os Estados da quanto resistência (os Estados da quanto profeta pela sua resistência) encantos de uma figura feminina que, Deus proíbe, recorre a comportamentos masculinos (vulgo, de poder e influência). Aliás, nas líricas do álbum Lucy é tanto tratada com pronomes ela e Ei (por exemplo: “Dizem que se você tiver medo, vá à igreja/ Mas lembre-se, ele também conhece a bíblia”). Havendo uma perspectiva queer, este dobrar de género ate poderia ser curioso, mas são outros os propósitos.

En não, Kendrick Lamar não estava sequer crítico ou pouco antimercantilismo do queer hip hop, circuito em que abundam artistas tão negociante$ quanto os do (agora) neoliberalíssimo hip hop Em linha retae com carreiras paralelas em áreas econômicas que envolvem muito dinheiro, como Le1f (empregador da indústria discoteca), Bolos da Killa (especialista em, bolinhas, Estudos de Moda), BigFreedia (decoração de interior), cazwell (modelo moda), RoXXXan (estilo de vida de marketing e merchandising) e Will Sheridan (gerente de moda), entre outros. Curiosamente, alguns destes nomes estão a questionar por estes dias o adjetivo “queer” para o que fazem, argumentando que os limita. Do ponto de vista de uma efetiva queerness anti-sistema, mais de esperar seria que colocassem o Capital em causa, mas assim não acontece.

Não é, porteiro, o Mercado babilônico ditto queer que Lamar conseguiu atingir, onde, de restaurante, será interessante abrir num tema como “For Sale”. Afinal, anos antes já tinha ele rappado estas linhas: “Então, só para ganhar um dólar, vou vender minha alma?

Temos, pois, que Lucy tentada a seduzir Lamar até o momento arrastar e isso – uma performance em arrasto – é totalmente inaceitável para o autor, que tenha sido ainda ele a imaginável. A personagem pode parecer queer, mas apenas se a história pit contada do seu lado, isto é, de uma perspectiva de subversão das construções culturais de feminilidade (e de masculinidade). Segundo ele, uma intimidação sexual decorrente só pode ser colocada à morte, juntando-o aos outros “reis da Terra” que foram “intoxicados” pelo “vinho da fornicação”. Sexo com um homem, mesmo com aparência de mulher (ou ainda mais, porque a “mulher” é sempre o mesmo a lógica, um Outro que ameaça destruir nesta Norma hetero-masculina), para Lamar como para o Cristianismo, é igual a nesta norma hetero-masculina com o demonio.

Um homem feminino com maneirismos ou masculinos drag kings (um homem feminino com maneirismos ou masculinos drag king), um serí quadro si mesmo, na norma que contém um desvio “adversário”, o seu próprio próprio”. Uma abominação, como Lamar declamou. Não o fez como um insulto diretor, diferentemente de tantos outros, mas fê-lo com nuances ainda mais pensadas do que as da “cultura de rua”, e isso é provavelmente ainda mas sério. Se Lamar admitir é um rapper de denúncia e protesto com fama de colocar tudo em causa, eis que há interrupções da ordem que não ele.

Kendrick Lamar não é,final, o fixo que muitos ouvidores mas apressados ​​pensavam que era, entre os quais um grande número de gays. O seu pensamento antiqueer está bem construído e defende-se com o Livro Sagrado, a stratégia que julgaríamos exclusiva da direita conservadora. E sim, pode ser anticapitalista, antirracista e antiquário em simultâneo, como fica demonstrado.

A ver o que o novo disco nos traz de fóbico a este respeito, mas não temos grandes esperanças.


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