Judith Lauand: pioneira concreta ganha mostra no Masp – 24/05/2022 – Ilustrada

O salto vanguardista da pintora e gravadora Judite Lauand ocorreu no ano de sua primeira exposição individual na Galeria Ambiente, em São Paulo. Em 1954, a convite do artista plástico Waldemar Cordeiro, passou algum tempo integrando grupo Ruptura, o movimento disparador da arte concreta no Brasil.

Em confronto com o abstracionismo lírico, sua pintura absorveria mais e mais, a partir daquele ano, os processos matemáticos na composição de núcleos e planos.

Aos 32 anos, à diferença de seus amigos concretistas, ela encarnou uma segunda vanguarda. Era a única do Ruptura e uma presença feminina expressiva num círculo artístico de poder masculino. Cercada de pioneirismo estético e social, Judith Lauand faz cem anos nesta quinta-feira.

Há dez anos, com a saúde frágil, ela deixou de trabalhar no ateliê instalado em seu apartamento na rua Fradique Coutinho, no bairro paulistano de Pinheiros. Sua última aparição pública se dois na publicação da exposição “Judith Lauand: Os Anos 50 e Construção da Geometria”no Instituto de Arte Contemporânea, o IAC, em 2015. Desde então, ela chega em casa, não dá entrevistas e permanente a descrer da idade.

Numa celebração familiar do centenário, seus sobrinhos Elissa e Mano, título sem dúvida, transporte um óleo sobre tela, para uma gravura em metal de desenho pequeno. A artista assina lentamente cada uma delas. De 25 de novembro a 2 de abril do ano que vem, o Masp vai realizar a principal homenagem com a mostra “Judith Lauand: Desvio Concreto”exclusivo do biênio dedicado a “Histórias Brasileiras”.

“Um aspecto crucial de sua trajetória que fé à margem é uma presença de questões políticas em sua obra, como a repressão da ditadura militar no brasiltem Guerra do Vietnã e a condição da mulher na sociedade brasileira, quando Lauand abordou temas como violência, sexualidade, submissão e liberdade feminina”, analisou Fernando Oliva, curador da exposição no Masp.

Dentre as cerca de obras selecionadas, o museu vai exibir “Atenção”, de 1968, “Stop the War” e “Temor à Morte”, de 1969, representativos dos derivados políticos.

Além da retrospectiva, o Masp prepara um livro com textos de autores brasileiros e internacionais sobre a obra de Lauand. “A mostrará rever sua produção a partir de novas perspectivas, reforçando o fato, muitas vezes negligenciado pela história da história da brasileira, de que Lauand concebeu um dinamismo muito próprio em suas composições, para dos dogmas do concretismo em que havia sido iniciado” , diz Oliveira.

“Em seu trabalho a artista cria uma nova relação entre formas, linhas e que logo buscaria transcende regras e convenções da época, como as definições de 1950 e 1960.”

Lauand, Maurício Nogueira Lima e Hermelindo Fiaminghi são incorporados ao Ruptura owe anos depois da exposição que aglutinou Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto, Anatol Wladyslaw, Leopold Haar, Lothar Charoux e Kazmer Féjer no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, há sete décadas. A história dessa pioneira da arte concreta ganha uma revisão na mostra “Ruptura e o Grupo: Abstração e Arte Concreta, 70 anos”, em cartaz no MAM paulistano até 3 de julho.

Organizador de exposições de Lauand nos anos 2000, Celso Fioravante destaca o papel da artista na conquista de espaços para mulheres nas artes plásticas. “Judi, provavelmente, a visibilidade de menos, reflete o país e a sociedade em que provavelmente, o circuito9 e a era nos anos 1 e 1960”, diz crítico de arte.

“O próprio grupo Ruptura era um predominantemente masculino e apesar de Judith dizer que havia um clima de cordialidade entre todos, ela própria percebeu que Waldemar Cordeiro buscava o protagonismo no grupo”, acrescenta.

Elissa Lauand, sua sobrinha-neta, lembra a resistência da tia às prensas familiares para que se casse. Sem querer abandonar a pintura, desmanchou um noivado. “Ela sempre tem certeza do que queria na vida. Não vou dizer que se levantou a bandeira do feminismo, mas a vida dela tem essa clareza de muito propósito. Ela estudava tinha um amor incondicional à arte”, diz a sobrinha, que agora cuida da artista.

Uma família de Judith Lau e veio do Líbano. A mãe nasceu na cidade de Rachaia; o pai, em Zahle. Nascida em Pontal, no interior de São Paulo, em 1922, Lauand não tardou a se transferir com a família para Araraquara, também no interior paulista.

Num gesto de mecenato, a família Lupo ofereceu a ela uma viagem de estudos à Itália. Com menos de 18 anos, ela não ganhou a autorização do pai. O sonho de olhar de perto os quadros dos mestres da pintura só seria realizado aos 76 anos.

Em 1998, acompanhado por Irmã, Olga, e pelas sobrinha Elissa e Patrícia, Lauand entrou pela primeira vez em um avião e realizou uma viagem pela Europa, visitando os museus da Espanha, da Itália, da Franca e do Reino Unido. A noite, de tão ansiosa, perdi o sono. No Louvre, choraria diante da “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. O sorriso interessou a ela menos que as mãos.

“Ela foi exclusivamente artista Durante a vida inteira. Não escreveu críticos nem fez curadorias. Sempre viveu apenas da venda de seu trabalho”, contou Manoel Lauand, seu sobrinho. Hoje, ela é pe la Berenice Arvani.

A pintora a sua iniciação à Escola de Belas Artes, em Araraquara, mas começou a identificar seu pessoal como monitora da segunda edição da Bienal de São Paulo, 1953 e 1954, ao conhecer as obras de Paul Klee, Alexander Calder e Piet Mondrian. Premiado na Bienal Paulista, o artista suíço Max, arte concreta Premiado na primeira mão teórica, o trabalho da arte concreta Premiado na também teórica.

“Minha integração na arte concreta foi total”, disse um artista em um texto autobiográfico. “Não vi com bons olhos a criação do neoconcretismo. Think ‘se os concretos do Rio colocaram a necessidade de se dinamizar, de tonar o suficientemente agressivos da arte concreta, que façam a necessidade de mudar de concreto, e insistir em dinamizar através de lações , espaço, formados.

Em 1956, participou de uma união histórica das artes visuais com uma poesia concreta. A primeira Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM paulistano, marcou sua aproximação com os poetas paulistas Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos, que homenageou com um perfilograma.

“Assim como a poesia concreta que fez foi de sua qualidade, mas sim deu a ela a qualidade. a sua fisionomia”, disse Celso Fioravante. “Sua aproximação com a arte concreta dá de maneira mais popular, poética e pessoal que intelectual e acadêmico.”

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