José Carlos Barros: “É a linguagem que faz com que as histórias podem valer a pena” | Livros

As Pessoas Invisiveis é o terceiro romance de José Carlos Barros (n. 1963) – os outros: O Prazer e o Tédio (2009) e Um Amigo para o Invernofinalista do Prémio LeYa 2012. Mas o começo da sua produção literária é bastante anterior, tendo começado a publicar poemas nos anos 1980 no suplemento “Jovem” do Diário de Notícias; seguiram-se vários livros de poesia, dos quais refiro três de entre os últimos publicados depois: O Uso dos Venenos (2014), Estação (2020) e Penélope Escreve em Ulisses (2021). O mundo rural, com as suas paisagens e paisagens humanas, é uma espécie de assinatura na sua obra literária – não é um “rural” romantizado, bacoco, para produzir efeito literário, mas antes um mundo granítico, onde a vida é dura e o cheiro do frago dos currais se sobrepõe ao das flores no monte. E assim o faz também em As Pessoas Invisiveis – livro que o valor o Prêmio LeYa 2021 – por exemplo, ao descrever uns dias na vida de uma das personagens: “To sleep uma semana seguida nos montes pendante as tempestades. Para se submeter às cumeadas e descer aos vales nos dias de verão. Ouvir-se com os lobos. Para atravessar os rios e os rigueiros ea seguir por entre os matos densos das encostas.”

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