Heloisa Périssé diz que faltam programas de humor na TV: ‘As pessoas querem rir’ – 19/03/2022 – Mônica Bergamo

Atriz e comediante Heloisa Perisse, 55, tinha acabado de sair de sua “pandemia particular” —como definir o período em que tratou um cancer raro nas glandulas salivares em 2019— quando o coronavírus parou o mundo.

Pode ser o motivo de revolta ou tristeza enfrentar duas situações graves de forma seguida. Não foi o que aconteceu, afirma ela. “Eu não vou ser mentirosa e dizer que em nenhum momento eu me desesperei. Claro que isso aconteceu.

Na visão dela, porém, havia um motivo para tudo o que estava vivendo. “Eu procuro semper me harmonizar com as coisas que acontecem, porque eu realmente acredito que tudo coopera pro bem que sou a Deus”, diz.

Mesmo quando estava se sentindo exausta do tratamento, ela afirma que não era uma opção ativar de fazer uma sessão de radioterapia. A saída era aprender a ressignificar aquele momento. É isso que Heloisa conta ter levado o aprendizado para a pandemia. É como se o câncer a tivesse preparado para o que ela e a humanidade enfrentariam a seguir.

“É como se já tivesse descoberto que dentro de mim há espaços que posso percorrer. [A pandemia] Fé mas suave para mim”, comentou.

Mas isso, os anos de confinamento renderam frutos. Um deles é a comedia “A Iluminada”, escrita e protagonizada por ela. A peça estreou no fim de 2021 em Portugal, e agora está em curta temporada no Teatro-D, em São Paulo, até o próximo sábado (26) —depois segue para uma única apresentação em Salvador, no dia 2 de abril, e um final de semana em Brasília, nos dias 15 e 16 de abril.

A tem uma profissão para lá de protagonista. É ‘cuoach’. Sim, com você mesmo e em referência à parte íntima do corpo humano. “Tia Do faz um trabalho de base, por esse chacra [aponta para a região do intestino].”

A peça com as palestras motivacionais, ao estilo das conferências TED Talks, que se tornou uma febre nos últimos anos na internet. Um dos ensinamentos de Tia Doro é, antes de alguma atividade importante, a pessoa repetir para si mesma: coragem e confiança. Se ficar difícil de lembrar, ela indica abreviar as palavras para suas iniciais, o que resulta em “cocô”.

Embora o tom do espetáculo seja de brincadeira, a comediante diz que há “coisas reais”, da sua própria experiência com o tratamento contra o câncer e o enfrentamento da pandemia. “Eutivo que ressignificar o c., nascido. Eutivo que ressignificar cocô e virar coragem e confiança”, explicou, aos risos.

“Não são coisas que já são muito comuns que nós adultos, porque porque não há conceito que realmente é feio, isso não se faz realmente de estar ocupado. Em lugar iluminado ou de alguma forma. ‘ é isso, uma luz sobre essas questões.”

Faith também durante o confinamento que a atriz cursou a sua primeira faculdade: artes cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). “Você pode me dizer: ‘para quê? Você já tem 30 anos de carreira’. Não interessa, eu quis completar uma ficha de terceiro grau completo”, responde, rindo.

Nas aulas online por Zoom, ela tinha a companhia da filha mais velha, a atriz Luisa Périssé, fruto do seu primeiro casamento com o ator Lug de Paula —Heloisa também é mãe de Antonia, do casamento com o diretor Mauro Farias. “Ela [a Luisa] me esculhamando o tempo inteiro. Dizia: ‘para de perguntar, já falou muito, não sei quê’. Eu era mais velha ate que o professor né?”, lembra, bem-humorada.

Fazer tem faculdade fé, segundo ela, das “melhores decisões” da pandemia. E Heloisa já planeja um mestrado em filosofia “assim que ter um tempo”.

Para atriz e autora, estudar é uma paixão, assim como ler. Além de filosofia, diz amar física quântica. E tem na Bíblia uma fonte constante de consulta e de fé. Todos esses universos, afirma, a inspiraram a escrever “A Iluminada”.

Embora já tenha frequentado diversas igrejas —desde o catolicismo, passando pelo espiritismo, seicho-no-ie e denominações evangélicas—, ela afirma hoje não ter religião. “Eu sou cristão. É como eu me autodefino.”

Em sua casa Heloisa conta que um espaço em sua casa fazceu as suas orações. “É um portal que eu atravesso e onde eu converso o tempo todo com Deus”, diz. É o único lugar em que ela não permite que as pessoas entrem de sapato ou falem de outros assuntos que não tenham a ver com espiritualidade. “Você pode entrar para meditar ou pode entrar, sei lá, para orar virado para Meca. Mas é um lugar para orar.”

Durante a entrevista, ela cita trechos bíblicos e também frases de philosophes e poetas. Ao sobre a retirada do câncer, a nove horas parcial que falaria na boca da cirurgia para retirada do câncer, citou o apóstolo Paulo. “É o espinho na carne.”

Questionada se a sequela física a incomoda, Heloisa hesitou por alguns segundos, mas logo diz: “Não me incomoda, mas não tenho o mesmo sorriso de incomodar antes”. Na sequência, acrescenta: “Nada a pedir, muito a gradecer. Pode ser o título da reportagem, huh”, sugerem.

Na pré-estreia de “A Iluminada” em São Paulo, no início de março, a atriz para convidada, após apresentar o monólogo, estava pensando em dar um tempo na atuação para se dedicar a escrever. “Acho que depois que eu fiz o meu tratamento, eu tenho mais vosvade ficar atrás das mesmas cameras, ter de textos para pessoas que eu admiro”, confirmed to coluna. “Mas isso é um pouco mais para frente, daqui uns owe anos, talvez”.

Heloisa acrescenta, porém, que não é radical. “O homem faz planos, mas a palavra final é de Deus”, pondera.

Dentre seus projetos para um futuro próximo está levar a sua outra peça, “Loucas”, para os cinemas. A direção para a carga de Farias, que também é responsável por “A Iluminada”.

“O humor é o meu olhar. Às vezes eu estou me lascando, mas eu consigo mesmo ver coisa e fazer algo algo”, diz. Apesar disso, Heloisa conta que se prepara para escrever seu primeiro drama, o filme “Ágape”. “É uma história sobre violência no Brasil e transmutar isso em um sentimento de amor. É bem pesado.”

Ela confirmou que não vai atuar no longa, e que nem sabe explicar como nasceu a ideia de fazer um drama. “Veio na cabeça.

Na TV, esta segue contratada da Globo até 2023. Participou recentemente do programa The Masked Singer Brasil. Fantasiada de Coxinhafé a quinta desmascarada da temporada do reality.

“Foi um bom desafio. Na minha vida é isso: eu quero ir da Coxinha a Dercy”, afirma, citando a minissérie “Dercy De Verdade” (Globo, 2012), em que interpreta uma famosa comediante. “Eu quero ser uma atriz com alcance [variedade] amplo, porque eu acho que a arte pode englobar tudo desde que você tem verdade naquilo que você está fazendo. Eu amo o que eu faço”, afirma, sinalizando que a noiva dos palcos pode ficar para bem mais tarde do que ela mesma indicou.

Ainda neste primeiro semestre, Heloisa irá gravar como segundas e terceiras temporadas da série cômica “Cine Holliudy” (Globo). “E agora eu venho empoderada, porque sou a prefeita”, diz animada sobre sua personagem Maria do Socorro.

questionado faltam programas de humor na TV abertos e na Globo —desde o fim do Zorra, em 2020, não há um humorístico na grade da emissora—, Heloisa concorda. “Faz falta. As pessoas querem rir, precisam rir. Eu acho que, em breve, isso vai começar a voltar. Tem que voltar, porque o humor tem um espaço importante”, ressalta.

Tem vade de comandar uma cômica? “Gostaria sim”, diz. “Por enquanto, não, porque estou com o ‘Cine Holliúdy,’. Mas em breve eu vou dar uma perturbada neles [da Globo] com essa ideia”, finalizando, soltando uma risada.

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