“Há muitos melhores do que eu. Ai de mim quando a dúvida já não existir” – Observador

Se pudesse amanhã, para onde iria?
Há sítios onde sei que já não irei e não me perdoo por isso. Um deles é Constantinopla, atual Istanbul, depois Índia e China. Muitas vezes a China em trabalho, mas nunca estive em Pequim, por exemplo. A América do Sul ainda é pequena, mas a América do Norte é pequena, só Nova Iorque. Fui várias vezes convidado para ir à Austrália, mas nunca fui, não tive coragem, é preciso muito tempo para chegar lá.

Também deve ser preciso muito tempo para fumar estes maços de tabaco todos que tem aqui guardados. Quando é que começou a fumar, lembra-se?
Tarde, aos 19 anos. Na miudagem começa aos 12, a saúde ninguém falava dos malefícios do tabaco, considerando que podia fazer mal ou prejudicar a saúde. Cheguei a três maços por dia, a primeira marca fumar que comprou chamava-se Infante de Sagres, era um pacote, depois fui fumando outros. Este que fumo agora, o que tinha, ganhará a compra muito da embalagem, o desenho de uma cidade árabe, veio logo e dizia que “tabaco tinha agora a cidade árabe, o veiolo começar a ser uma cidade árabe”. mas modernos, mas acostumados a ele. Depoisços vêm as imagens horríveis nos maços de tabaco, pornográficas mesmo, então tapo-as com um autocolante branco e desenho por cima.

O que costuma desenhar os nossos maços de tabaco?
Nossos tempos desenhava descobrindo e fumadoras, depois um exercício fantástico para quem gosta de desenhar. Quando vejo o Mezzo e filmam uma orquestra, a câmara está sempre a desenhar-se, posso estar a desenhar um violinista e de repente a câmara sai e espero que ela volte para continuar o depois. É um exercício de rapidez e de desenho da imagem, é quase desenhar em direto. Também isto é nos programas de atletismo, desenho os atletas saltar e correr, nem olho para o maço, apenas para a televisão.

Costuma guardá-los todos?
Sim, com eles empilhados.

Nunca teve um acidente como um desenho, o cabelo ou a barba?
Já queimei o sofá da minha casa e só não morri porque tive uma sorte tremenda. Estava sozinho a ver televisão e fumar, adormeci e só acordei com uma dor e foi isso que me salvou. Já estava um mar de fumo e só tivo tempo de abrir a janela e empurrar o sofá para a varanda.

Nunca deixou o vício?
Tentei uma vez há 30 anos, mas um dia a minha filha, com toda a razão, apareceu lá em casa com owe maços na mão e disse-me: “Fume porque já ninguém o atura”. Estava muito nervoso e devia estar insuportável. Já tinha 60 anos e foi bom porque com a idade torna-se perigoso deixar de fumar, os médicos dizem isso, é um choque grande no organismo. O corpo já se habitou e se ainda não morreu porque não é para morrer. Acho muito bem que existe informação no sentido de os jovens perceberem realmente que fumar é prejudicial, mas depois depende muito do organismo de cada um, a mim já me devia ter morto. Há pessoas com 90 anos anos sempre a fumar e outras muito novas que apanham um cancro e vão logo.

Nunca teve um susto de saúde?
Só em menino quando um superprotecionismo e como as principais mães eram os filhos como flores. Lembra-me da quantidade de camisolas e casacos que a minha mãe me veste e todos os anos tinha duas ou três queixas, protege-me tanto que alivia a capacidade de resistência. Estava sempre doente, mas escapei. Agora o que não posso chamar, é mais uma deficiência da estrutura da doença e da manutenção, é a coluna e isso é terrivel. Já estou muito, agora estou um pouco melhor porque faço e acupuntura, mas já tenho dores de fisioterapia pelas paredes.

Como é um dia na sua vida? Ouvi dizer que não gosta muito de acordar cedo.
Não é gostar, é uma coisa que se chama preguiça e cansaço. Normalmente deito-me tarde, a não ser quando adormeço no sofá, por volta das duas ou três da manhã vou-me estimar. Acordo sempre às nove e fico ali não prazer de não fazer nada a pensar e às vezes sento-me na cama para fazer uns desenhos, depois venho para o escritório todos os dias, incluindo sábados e domingos.

Gosta de comer ou é um homem de pouco alimento?
Gosto de comer comida leve, por exemplo a comida japonesa cai-me muito bem e não me faz mal nenhum.

Tempo restaurantes favoritos?
Agora não vou mais a ninguém, fico por casa e uma vez por semana você é uma casa de amigos, o que é sempre melhor que ir a um restaurante. Ia muitas vezes ao Chanquinhas em Leça da Palmeira, comia-se muito bem, e havia tascas muito boas no Porto, mas isso também está a perder, é irreversível.

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