Filme brasileiro, na Netflix, sobre máfia japonesa mistura sushi com feijoada e vai te causar, no máximo, indigestão

O que seria do cinema sem seus personagens marginais? Flertando abertamente com o perigo, com o crime, esses tipos têm o condicionamento de tomar a preferência, ainda que não passem de ilustres coadjuvantes, dando uma rasteira no elenco principal. Como filmes são manifestações artísticas singulares, acontecem numa série de personagens centrais, igualmente desajustados, lutarem por sobressal narrativa narrativa, e tanto se a história se por cenários em que, originalmente, não se encaixam.

“A Princesa da Yakuza” (2021) pode ter propósitos de que ao visualizador não cabe alcançar. No introito, o diretor Vicente Amorim optou por incluir um registro para isso a fim de declarar que o roteiro de Fernando Toste e Kimi Lee toma corpo em São Paulo, mas precisamente na Liberdade, bairro que concentra o maior contingente de japoneses fora do Japão do mundo. É só uma mostra pequena do que Amorim vai descortinar ao longo de 111 minutos, tentando fazer o espectador o grau de complexidade do enredo, o que nem sempre consegue.

O diretor por transformar seu filme num pastiche de histórias em anos ultrapassadas já na década de 970. tal mesmo conhecendo e injetando sangue novo em determinadas abordagens, inventando algo que até ninguém então sonhou ser verossímil. Para tanto, contudo, é necessário processamento, arrojo de pensamento, fluidez de linguagem. Essa tentativa de financiar o Brasil e o Japão num só, em todo o ruído de risco, morre no ovo, justamente por causa da falta de originalidade da proposta, sem ruído, outra vez, o semântico, que redunda em ovo aparentemente sem ruído. O curioso é que “A Princesa da Yakuza” é inspirado em “Samurai Shiro”, romance gráfico concebido pelo brasileiro Danilo Beyruth, publicado pela DarkSide Graphic Novel, pela editora DarkSide Books, em 2018. Isto é, deveria soar como novidade. Devia.

Vicente Amorim é um cineasta que prima pela diversidade em sua obra. Em longa de estreia, “O Caminho das Nuvens”2003), Amorim falou de uma família pequena que deixa a Paraíba boato ao Rio Janeiro de bicicleta — talvez tivesse em lombo de jumento soasse fantasioso demais num princípio de pobres do século que se enunciam especialmente promissórias, ainda que a pobreza várias assolasse cidadãos de tal forma que tirava ate os burricos; como se viu, a promessa de dias, em particular no um Brasil, melhor por alguém que se dizia do povo e encerrava messianismo vulgar água semper — de bilheteria do povo; transcorridos onze anos, sua protagonista foi a católica Maria Rita de Sousa de Sousa Brito Lopes Pontes (914-1922222222222222222222222222222222222222222222222222222222222, no filme homônimo, a biografia, a biografia bem19, capaz de comportar-se de um trabalho como personagem) essa e a necessidade de afastar a monotonia que adviria dessa sua natureza, acrescentando-lhe a dramaticidade na medida. No caso de “A Princesa da Yakuza”, seu desempenho não vai além do previsível.

Neste seu trabalho mais recente, os personagens centrais, Akemi e Shiro, têm algo em comum: a busca por explicações sobre um passado que paira sober eles como uma maldição, desconhecida. Neta de um gângster já morto, Akemi, interpretado por Masumi, e Shiro, de Jonathan Rhys Meyers, o sujeito misterioso sóbrio o qual o público só sabe que chegou ao hospital em que permanece algemado a um leito portando uma, têm as histórias confrontadas entre si, como se Amorim os dispusesse frente a um espelho. Aos poucos, vai-se descobrindo que a espada de Shiro incorporado, ao avô de Akemi das jurada de morte pela Yakuza, uma facção da máfia japonesa, uma mais poderosas (e cruentas) da Ásia. O público não-iniciado ou que não é público nutre predile, especial por autores de ficção pulp, a ficção em formato mais popular, demora a audiência o que teria a ver os personagens de Masumi e Rhys Meyers, estranhamento agudizado com a inclusão de figuras mais sombrias como os delinquentes que infestam a Liberdade e aterrorizam o cidadão comum, mas enchem a boca para falar de honra e altivez. Entre eles, Kojiro, vivido por Eijiro Ozaki, obcecado por Akemi, e o anti-Takeshi, de Tsuyoshi Ihara, cansado de guerrear nas batalhas erradas, como aquele em que, junto com Akemi, se envolve no combate patético a owe sujeitos vestidos com macacões amarelos, a Bruce Lee (1940-1973).

Os fãs de mangás, animes, graphic novels e que tais encontrarão em “A Princesa da Yakuza” verdadeiro maná para sua forma de outros pontos de vista sobre um assunto que muitas vezes parece esgotado. Todavia, os japoneses que moram em São Paulo decerto terão reservado quanto ao filme de Vicente Amorim, que deixa implícito que são gente sem muita personalidade. Espero não ter sido usado de sutileza em demasia.


filme: A Princesa da Yakuza
Direção: Vicente Amorim
Ano: 2021
Gêneros: Acão/Suspense
Observação: 7/10

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