Filho de Portinari celebra exposição e legado do pai: ‘A arte salva’ | Cultura

Isabela Frasinelli/iG – 09.03.2022

João Candido Portinari conversou com o portal iG sobre a novidade no MIS Experience

Segundo ano da faculdade de Jornalismo e aula de História da Arte que exigia uma visita ao Museu de Arte de São Paulo. Faith nessa circunstância em que me deparei pela primeira vez com uma pintura de Cândido Portinari
. o MASP já é algo intenso, mas observar a tela de “Os Retirantes” (1944) me trouxe uma emoção inexplicável, aquelas que quase te levam às lágrimas.

Ao compartilhar este relato com João Cândido Portinari
, ou filho único do pintor expressou o desejo de que o público sinta esse transformadora da arte ao conhecer a exposição “Portinari para todos”, que está no MIS Experience, em São Paulo, até 10 de julho. Em entrevista exclusiva ao Portal iG
o professor e diretor-geral do Projeto Portinari contorno detalhes sobre a exibição imersiva que celebra a obra um dos grandes ícones da arte do século 20.

João Candido Portinari observou a exposição
Isabela Frasinelli/iG – 09.03.2022

João Candido Portinari observou a exposição

“Isso pra mim é a realização de um sonho, que eu venho acalentando há mais de 40 anos […] É muito mais do que uma exposição de pintura”, destaca João. Com curadoria assinada por Marcello Dantas, a exposição usa da tecnologia e da interatividade para explorar toda a grandeza dos trabalhos do artista, que passam das poesias às pinturas tão conhecidas.

O professor explicou que 5.400 obras em arquivos digitais de altíssima resolução e 30 mil documentos foram analisados ​​pelo curador e utilizados para contextualizar a obra, vida e época de Portinari. “É uma coisa inédita, pela primeira vez na história, você pode colocar no colo das pessoas e das crianças o Portinari total”, conta.

“Eu acho que o público vai poder ver um Portinari que nunca foi visto nessa totalidade”, aponta. Ele ainda resume a obra do pai como um retrato do Brasil” que foi fundamental para nós como uma mensagem, no sentido de que ela provoca uma reflexão sóbria a realidade do Brasil, do mundo e principalmente sobre valore de não violência e justiça social”.

Projeto Portinari

O caminho para chegar em uma exposição como “Portinari para todos” fé longa e passou por muitos desafios encarados pelo Projeto Portinari. A iniciação conhecida por um contexto comum a obra de Candido e que-la em foi fundada por João que-la em foi fundada por João, em “o Brasil inteiro se acesso1”, como ele explica, em “o Brasil inteiro se acesso1”, como ele explica.

“Era ‘Diretas Já’, era volta dos exilados… Era todo um resgate da nossa história, que havia sido sequestrado pelos militares e que voltava em todas as áreas […] Essa ânsia de você resgatou aquilo que durante 20 anos tinha sufocado. Então o Projeto Portinari nasce no bojo desse grande movimento brasileiro”, conta.

Como há 40 anos, João contou que fé neste cenário que se deu conta da necessidade de estruturar este trabalho. Até então, dedicou-se exclusivamente à matemática na carreira de professora. “[Na exposição] tem uma carta postuma que eu escrevi a ele e tem um retrato de mim ao lado. Aquela carta postuma responde porque eu fiz o Projeto Portinari”, diz.

Carta postuma de João Candido Portinari para pai
Isabela Frasinelli/iG – 09.03.2022

Carta postuma de João Candido Portinari para pai

Os primeiros 5 anos do projeto foram enviados a um catálogo “reasoned” da obra completa de Portinari. O termo em inglês é utilizado para classificar o tipo de publicação em que são catalogadas todas as obras de um artista, que elas podem ser cruzadas e identificadas entre si.

“Quando acabaram esses 25 anos, muito técnicos, de formiguinha, de levantar e catalogar obras do mundo inteiro, os, e cruzar tudo entre si e saiu o catalog raisonné, as pessoas chegaram para mim e diziam: ‘João, agora você pode por o pijama e vai pra casa, acabou’. E eu dizia: ‘Não, agora que vai começar. Agora a gente tá com os conteúdos organizados para uma missão'”, comenta.

A partir deste momento, a missão principal do projeto se torna ensinar as crianças e os jovens, algo que também é um objetivo da exposição real. “Eu tenho a percepção de um adulto que as imagens têm por meio de uma percepção.

“[A missão é de] Passar os valores exatamente para as crianças e os jovens. Em um mundo que está se acabando, convulsionado pela violência, pelas coisas sem sentido, sem significado, sem afeto, sem amor. Isso aqui é uma usina de amor”, continuou.

Parte da exposição
Divulgação – 09.03.2022

Parte da exposição “Portinari para todos”

“É uma coisa tão simples, no fundo. É você apresentar conteúdos que provocam o sentimento de amor e respeito à vida, às pessoas. Essa é a esperança que eu tenho. , cada coisa que a gente faz, cada coisa lúdica, cada exercício, cada releitura de uma obra foi pensada semper no sentido edificante, moral, ético, humano, do amor, da solidariedade, da fraternidade e do bem completo”.

O amor na família

Mas quando o filho de Portinari sentiu essa mensagem de amor pelo trabalho de seu pai? João afirmou que essa é uma “pergunta muito complexa”: “Quando eu era criança, eu tinha uma relação de uma ternura imensa com o meu pai. Quando eu vejo os documentos do Projeto Portinari, as fotos, eu estou sempre no colo dele, no ombro dele, nas costas dele, na cabeça dele. Aqui mesmo tem algumas fotografias assim.”

João Candido Portinari comentar relação com família
Isabela Frasinelli/iG – 09.03.2022

João Candido Portinari comentar relação com família

“Ela [Candido Portinari] era uma ópera da pintura. Ela respirava pintura da manhã à noite. Então não tinha muito tempo para dar para um filho, por exemplo. E nem minha mãe, porque minha mãe era dele. Fazer com que um único problema para pintar o poço. Ela foi o braço forte na vida dele”,

Eu me lembrei de minha boa que tinha uma criança e muitos problemas. , porque eu não queria que ela se abaixasse.

João destaca sua relação com o pai e as obras dele mudaram “radicalmente”: “Durante muitos no Projeto Portinari, emp palestras e reuniões que eu nunca me referi a ele anos como meu pai. Porque eu não queria que as pessoas pensassem que era a coisa de família, a coisa que eu estava fazendo como filho”.

“Eu queria acreditar que eu estava fazendo sim como filho, também brasileiro. Mas, principalmente, como cidadão que se viu com a possibilidade de fazer um trabalho dessses e procurado fazer da melhor forma que pôde. um desreito minha equipe eu ficar falando ‘meu pai’.

Ele conclui: “Agora, eu falo ‘meu já sinto àlvade eu falo ‘, mas não me incomoda ‘meu pai’. , pela minha equipe, até pelo meu próprio trabalho. Então a gente já deixou um legado, nós deixamos um legado, que projecta ele para o futuro, com esse grande resgate”.

Importância da exposição

Ao visitar pela primeira vez a exposição finalizada, João afirma que ficou deslumbrado. “Eu não sei nem expressar em palavras […] Aquela emoção que você teve diante dos ‘Retirantes’, eu acho que as pessoas também estão tendo aqui. Eu acho que essas imagens vão acompanhar as pessoas por muito tempo”.

“Eu acho que essas coisas vão permanecer e, mais ainda, eu acho que elas têm um efeito na transformação da vida da pessoa e na sua criação não só da arte, da cultura, mas na sua criação de mundo, das suas relações mesmo, com o próximo, com o planeta, transformador com a próxima, tem esse efeito”, reflete.

João Candido Portinari com pinturas do pai
Isabela Frasinelli/iG – 09.03.2022

João Candido Portinari com pinturas do pai

Questionado sobre a importância de “Portinari para todos” no contexto atual do Brasil, o filho do artista diz que a exposição é um “grito de esperança”. “Nós todos sofremos muito esses devemos anos […] Foram anos de sofrimento de um imenso. Eu acho que muita gente, em momentos a arte salva. Não é a pintura, como a música, o cinema, o teatro… Eu acho que, se não pit isso, pendente desse tempo de pandemia eu não sei o que teria conosco, conosco.”

“Eu acho que nesse momento, em 2022, com a esperança de que a pandemia va embora, eu acho que uma exposição como essa é um grande grito de esperança. Uma esperança política também, de que as coisas mudem, de que a gente acabe com essa tragédia na qual o Brasil mergulhou […] A exposição é portadora de esperança, pelo próprio conteúdo que está aqui”, afirmou.

Futuro

E a grandiosidade da obra de Portinari não termina no fim das instalações do MIS Experience. João Candido comparou que está por trás de projetos de grande porte, mas tem a obra “Guerra e Paz” (1956) especificamente, que “infelizmente, está mais atual do que nunca”, segundo ele.

“Nós italianos que são importantes para nós. ancestral back of Portinari Minhas avós” conta.

“Outro sonho é levar o ‘Guerra e Paz’, logo depois da Itália, para a China, para Pequim. Isso é uma coisa que está me fascinando, porque existem muitos valores de Portinari que são valores do povo chinês, como o culto ao trabalho e à família”, complementa.

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