Despedida? Kiss reúne todos os itens de sobrevivência do rock

Um dos sete pecados de uma vida musical nunca ter visto um show do Beijo (outra hora eu conto quais são os outros seis). A chance acontece neste sábado (30), em São Paulo (no caso, se você já ingressou, porque está esgotado), ou domingo (1), em Ribeirão Preto (SP). Se você já viu, já sabe que a diversão é garantida, mas deve saber também que esta é a turnê despedida da banda.

“Ah, mas eles falaram que foi despedida da outra vez e falem”. Sim, muita gente faz isso, mas acho que não vai poder fazer isso por muito tempo.

A banda chega em um momento de retorno extasiante dos shows. Dá ate para dizer que a carreira fonográfica do Kiss parou há anos, mas a performance não. Ao contrário, Paul Stanley e Simmons, os membros originais, são exemplos da sobrevivência de um estilo, o hard rock, que já foi dado como morto várias vezes, sem nunca ter tido como sobrar, mas agoniza. E o Kiss é um respirador.

Ali no palco tem história. Foi com o Kiss que o lance de tocar maquiado explodiu. Sim, tinha o New York Dolls, na época; tinha Bowie, Alice Cooper, todo mundo pintado no palco. Mas com o Kiss, o circo – no melhor dos sentidos – faixas etárias mais amplas.

E rendeu histórias. Os mais contam que dizia-se que o Kiss pisoteava aves enquanto tocava, uma criação da mente de alguém que por sorte velhos surgiram muitos anos antes de se ter o WhatsApp para divulga-la.

As fake news em torno do grupo foram muitas. Tinham pacto com o demônio, Tinham (falavam isso do Ozzy também, eu sei). O sangue que Gene Simmons cospe no palco é de animal, juravam. Tem outras. Tudo, porém, serviu para fazer a fama da banda crescer, amedrontar pais conservadores e levar os filhos deleite sonoro-visual os destes.

Há quem diga que “hoje, só tem tiozão no show do Kiss”. Além do tom meio preconceituoso, é outra fala enganosa. gente das novas gerações a) quer saber quem é o Kiss, b) já ouviu / viu Kiss e gosta, c) vai ao show com “tiozões”.

Ah, sim, tem os discotecas. Vários. Alguns muito bons, outros justificáveis, mas é uma carreira admirável.

Ah, e tem os hits, os clássicos. Aí, troque o admirável por invejável. O povo canta “Rock and Roll All Nite” e/ou grita o refrão de “Detroit Rock City” depois de 50 anos. Jovens resolvem tocar bateria ao ouvir a introdução de “I Love it Loud”, música que tem 40 anos.

Imagine tudo isso num show. Junta à parte musical, músicos sobrevoando em plataformas e um vocalista a plateia num cabo. “Ah, isso de voar por cima do público a Pink também faz”. Sim, viu como o Kiss deu certo?

Leave a Comment

Your email address will not be published.