De uma feira de livros na PB para o desfile de escolas de samba em SP: saiba como ‘O Pequeno Príncipe em cordel’ virou enredo da Tom Maior | Carnaval 2022 em Pernambuco

Tem sotaque pernambucano na principal disputa do samba de São Paulo. Uma adaptação para corda de “O Pequeno Príncipe”, livro escrito por Antoine Saint-Exupéry, há mais de 70 anos, inspirado no enredo da escola Tom Maior, que desfila no Grupo Especial na madrugada do sábado (23), criou a arte do escritor e cordista Josué Limeira e o designer gráfico Vladimir Barros (veja o vídeo acima).

Por causa da pandemia da Covid-19, os desfiles não ocorreram durante o período de carnaval, pelo segundo ano consecutivo. ás 14 escolas da elite paulista iniciam disputa na noite da sexta-feira (22).

Com 1,7 mil integrantes, a Tom Maior é a quarta escola do grupo especial a desfilar na passarela do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, por volta da 1h45 de sábado (23).

Inspirado no Cordel do “Pequeno Príncipe”, enredo da escola de samba de São Paulo tem sotaque de artistas pernambucanos — Foto: Reprodução/WhatsApp

A Tom Maior optou por usar um texto clássico e colocar temperos nordestinos. A base do enredo é o livro “O Pequeno Príncipe em Cordel”, de autoria dos devemos pernambucanos. A obra foi adaptada para a avenida por Judson Sales e Flávio Campello, que comandam a escola.

Para explicar ao público, a Tom Maior, um comparativo com um clássico da literatura brasileira.

“Se em ‘Grande Sertão Veredas’, Guimarães Rosa que ‘o sertão disse está em toda parte’ ou ‘o sertão é toda do tamanho do mundo’, nós acreditamos que essa história rica e cheia de boas mensagens cabe com perfeição no ambiente da nossa região culturalmente mais diversa”, afirmou a escola.

Limeira e Barros mostram a capa do livro que levou a adotar um enredo do Pequeno Príncipe em escola — Foto: Reprodução/WhatsApp

A ideia de fazer o cordel surgiu a partir de um convite recebido por Josué. Instigado por uma amiga, ele aceitou o desafio de transporte o texto original para o universo nordestino. “Minha carria com Vladimir começou pela internet. Fiz um convite para ilustradores e ele deixou com a cara do Nordeste”, contorna.

O corista. Limeira diz que inspire o samba-enredo da Tom Maior representa uma coroação do projeto.

“Fomos finalistas do Prêmio Jabuti de literatura, temos o livro usado em escolas de vários estados e fomos tema de desfile de quadrilha junina. Agora, vamos levar essa mensagem de alegria e esperança para a avenida. É um tempero bastante significativo esse desfile, que a gente aguarda com muita ansiedade”, declarou Josué.

Vladimir também está contando as horas para começar a festa. “A gente ficou muito feliz quando soube que ia participar. Até, desde muito contato com o projeto o início. Estamos trabalhando juntos”, afirmou.

De acordo com o designer gráfico, os carnavalescos os titulares exclusivos para as peças e todos os carros gráficos impressos que foram impressos no cordão. “Eles usaram meus traços e colocaram em três dimensões. Ficou muito bom mesmo”, declarou Vladimir.

Carro alegórico tem traços da literatura de cordel e o do Pequeno Príncipe — Foto: Reprdodução/WhatsApp

Na passarela, o intérprete Gilsinho é o responsável por cantar o samba-enredo composto a partir da adaptação de Josué e Wladmir. “O menino avisou pro meu povo arretado que o príncipe voltou pra regar o chão rachado”, diz um dos trechos da letra.

Na história original de Saint-Exupéry, um piloto cai com o avião no deserto e encontra uma criança que diz ter vindo de um pequeno planeta distante. Os personagens devem inicialmente, então, uma amizade.

Na adaptação dos pernambucanos, o menino aparece com roupas típicas do Nordeste. A narrativa saga da poesia e referências é em forma de paisagem da região.

Finalista do 58º Prêmio Jabuti, em 2016, na categoria “Adaptação de obra literária”, ou “Pequeno Príncipe em Cordel” às passarelas do samba paulistano de uma forma inusitada.

Director, Judson Sales de Tom Maior, obra por intermédio de uma amiga que encontrou o carnaval de Vladimir em a feira de livros.

Judson contorno que gosta do Nordeste e vai sempre para Olinda sem carnaval, depois dos desfiles em São Paulo. Uma vez, ele procura um tema para a escola e se deparou com uma frase de Guimarães Rosa na cabeça: “o sertão é do tamanho do mundo”.

“Por coincidência, uma amiga estava em João Pessoa de ferias e conseguiu esse livro dos meninos. Achei uma ideia audaciosa”, afirmou.

Em seguida, o pessoal da escola entro em os autores e fez o para estudar a ideia de convite para o universo do “Peque Príncipe em Cordel” a avenida. No file, Judson diz que “vai usar licenças poéticas” para adotar uma ideia de Vladimir e Joué.

“A gente acrescentou algumas coisas por conta da linguagem carnavalesca. Deu um além passo”, declarado. Quem assistir ao desfile vai encontrar um eixo do tema original do livro, de acordo com ele.

Figuras clássicas da literatura de cordel estão presentes no desfile da Tom Maior — Foto: Reprodução/WhatasApp

Além disso, o público vai descobrir como uma história narrada há décadas caiu como uma luva no universo sertanejo do cordel. Uma das iniciativas dos próprios livros foi projetada por personagens, que e o carnaval pelo aviador, conduzindo a narrativa do próprio autor.

Na Tom Maior, ele virou um caminhoneiro e ganhou o nome de Zé Peri, lembrando Saint-Exupéry. “É o personagem mais comum nosso, com seu caminhão quebrado no meio da estrada”, detalhado Judson.

Então, Zé Peri encontra “Galego”, que é o Pequeno Príncipe. Na estrada, vai contar as mesmas histórias que estão no livro original.

“Os outros personagens são da nossa cultura. O rei vira o rei do maracatu e a serpente é uma cobra-coral. Há também referências pernambucanas, como o Homem da Meia-Noite”, declarado Judson.

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