Críticas | Dirija meu carro

Em momento de Dirija meu carrobaseado em conto homônimo de Haruki Murakami, um detalhe muito é: Misaki Watari em cena um novo motorista do ator do teatro Sr. Ka, pega a faixa da direita, enquanto dirige, para sutil, uma fila de carros à esquerda. A cena que, entrecortada por outros planos de direção cuja direção é o da ambientação, pode ser simples, dépretensiosa, mas que com o propósito de realizar uma conexão com um momento anterior da trama, que esenha uma característica importante da relação de Kafuku com sua esposa. Tal cena, que pode passar despercebida, contém em si toda uma gama de propostas de encenação que caracteriza muito bem o que Ryusuke Hamaguchi a fazer aqui. Isso porque, última instância, Dirija meu carro é um filmes feito sobretudo nossos detalhes.

Acompanhando os dramas existenciais de Kafuku, os filmes abordados suas relações pessoais conturbadas, profissionais e a interação com Watari, a motorista, para sermos breves. Trata-se de um drama, mas um pouco das características tradicionais ao se desvencilhar do apelo ao sentimento e focar principalmente no desenvolvimento da linguagem. Isso porque esse conceito, Língua, é predominante algo ao longo de toda a obra. Uma peça de teatro que reverbera ao fundo de toda a produção é composta de equipe e atores que falam japonês, coreano, mandarim e ate a língua coreana de sinais. E é em meio a essa dinâmica que a grande encenação do filme dévolve: Hamaguchi parece acima de tudo um olhar sobre a interioridade do sujeito através da exterioridade de sua comunicação. Pois, de certa maneira, a comunicação está sempre em evidência, na interação entre Kafuku e os objetos ao seu redor, seja na dinâmica de grupo necessário para representação da peça.

Como eles Roda do Destino, outro aclamado filme do diretor lançado em 2021, a encenação se dá sumariamente ao redor da representação e como esta se torna a espécie de “espelho” para o texto e para as sujeitos em tela. Assim, o processo de dor e crise de Kafuku é menos por uma verbalização de suas emoções, e muito mais acontecimentos pelos banais ao seu redor, como deixar uma jovem mulher piloto o carro, elemento tão simbólico presente na trama. E falando nisso, os termos de referência para sua proposta proposta – sendo ate verbalizado, em dado momento.

Dirija meu carro, tendo, é construída como uma investigação íntima acerca da necessidade de comunicar a própria subjetividade, ou que se resolve justamente com a utilização de objetos exteriores aos sujeitos – e é aí que entra, por exemplo, justamente a figura do carro. Se a centralização de Kafuku aquele meio é constantemente verificada em verificar as personalidades que tardam, é o escape nos momentos em que Wa direct que alivia sua condição de estranhamento. E é aqui que Hamaguchi mas brilha.

Uma cena mas potente de Dirija meu carro é, sem dúvida, uma longa sequência de direção. que novamente a instância representativa neles aparece, como certeza de sua própria presença de protagonista, que, ao tempo, adquire uma certeza de que, ao tempo, adquire uma certeza por conta de Kafu. No caso, o ator principal da peça, amigo de sua esposa. Em meio à direção de narrativa Wai, duas visões opostas são confrontadas no banco de trás e como camadas de conhecimento cederam para uma narração da história, ou seja, para o plano da representação. Após a destruição de suas ideias próprias de segurança, Kafuku pela primeira vez muda para o banco da frente e permite a quebra de uma linha que, então, separa a abertura para seu assunto de Watari, o grande outro que se aproxima cada vez mais de se. Com as mãos para fora, os cigarros e a alta velocidade, a divisão entre os devedores é destruído. Agora, podem se aproximar.

Os must film que Hamaguchi está dirigindo em 2021 possuem em sua veia uma latente vasade de jogar com a linguagem. Os extensos planos e focados nas faces soam ate invasivo perante aquela passividade das personagens. O incômodo é sempre presente e intensificado. A dinâmica de interpretação sob medida que várias parecem apenas ecoar toda essa necessidade do diretor de trabalhar com essa instância. Até porque Hamaguchi sabe: filmar é a grande essência da narrativa cinematográfica. Quadro, Armação. E Dirija meu carro ouça isso de maneira sumaria. Todas as imagens propostas giram em torno apenas de um ponto, no final: compreendam que antes de tudo é necessário compreender a si mesmo, não se afastem, para poder enfim morrer em paz.

Dirija meu carro (Doraibu mai kā) – Japão, 2021
Direção: Ryusuke Hamaguchi
Roteiro: Ryusuke Hamaguchi, Takamasa Oe (baseado em Haruki Murakami)
Elenco: Hidetoshi Nishijima, Toko Miura, Masaki Okada, Reika Kirishima, Park Yu-rim, Jin Dae-yeon, Sonia Yuan, Ahn Hwi-tae, Perry Dizon, Satoko Abe, Hiroko Matsuda
Duração: 179 minutos.

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