‘Cidade nas Nuvens’ põe as bibliotecas e os livros como chave do futuro – 21/02/2022 – Ilustrada

E se as bibliotecas não existissem e fossem inventadas hoje? Jeff Bezos investir bilhões de dólares em lobistas para detonar o projeto; os bibliotecários eram considerados profissionais; as editoras requisitavam royalties cada vez que um livro fosse emprestado; e a própria ideia seria considerada radical e comunista, impraticável e antiética.

Seu criador talvez sofresse o mesmo destino que Aaron Swartzque tentou abrir o acesso aos cientigos científicos, a fé perseguido pelo FBI e acabou se matando.

bibliotecas já existentesm —e há muito tempo. Mas talvez não para semper – elas são mais importantes do que parece, demandem um trabalho para continuarem existindo e podem acabar a ququer momento, de morte matada ou morte natural.

Esse é o tema do romance “Cidade nas Nuvens”, de Antônio Executor, publicado em setembro nossos Estados Unidos e que sai agora no Brasil pela Intrínseca, em excelente tradução de Marcello Lino. O autorizado mas conhecido por seu romance anterior, “Toda Luz Que Não Podemos Ver”, premiado com o Pulitzer de 2014.

Nossos agradecimentos, Doerr lembra como inspiração “A Virada: o Nascimento do Mundo Moderno”, por Stephen Greenblatt —também ganhador do Pulitzer—sobre a redescoberta, em 1417, do manuscrito do poema latino “Da Natureza”, de Lucrécio, e dessa virada da Idade Média ao Renascimento que essa descoberta catalisou.

“Cidade nas Nuvens” acompanha a voyageória do manuscrito “Cuconuvolândia”, desde quando é escrito por Antonio Diógenes no século 1º para animar uma sobrinha doente; Passando por ser redescoberto por outra menina em uma Constantinopla às vésperas de ser tomada pelos turcos no século 15; e, depois de várias histórias interligadas, ate se encontrar armazenado na biblioteca de uma nave espacial 22, abandonando um planeta Terra exaurido e buscando um novo lar para a humanidade além das estrelas.

(“Cuconuvolândia” realmente existe, mas, como tantos textos antigos, se perdeu –pela sinopse, pode ter sido a primeira ficção científica. Em inglês, o título do romance e do manuscrito são iguais –”Cloud Cuckoo Land”.)

Na história que abre e encerra a narrativa, acompanhamos a menina Konstance, no 65º ano de uma viagem interestelar de 592 anos, descobrindo que seu destino nascerá e morrerá naquela nave, para que a espécie humana, séculos de pois, tenha chance para continuar em um novo planeta.

“Somos como gerações-ponte, os intermediários, aqueles que nunca passarão, que nossos olhos estão prontos… Você e eu vamos chegar a um tempo doloroso. acreditar que há mais durará a fazer parte de uma você.”

Na linha de “The Overstory”, romance publicado por Richard Powers em 2018, ganhador do Pulitzer de 2019, e inexplicavelmente ainda não lançado no Brasil, “Cidade nas Nuvens” não é apenas uma carta de amor aos livros e às bibliotecas, mas também na natureza e nos animais.

No passado, acompanhamos a tomada de Constantinopla do ponto de vista de owe bois, que não importamos e apprendemos a mar, force a arrastar o maior canhão de todos os tempos. No presente, um adolescente neuroatípico se radicaliza ecoterrorista pela destruição de habitat de suas corujas favoritas.

No futuro, a destruição da Terra faz com que a humanidade fuja rumo às estrelas, levando não todo o conhecimento humano, mas apenas uma boa parte da biodiversidade sobrevivente, em estufas, florestas, plantações.

Se Konstance esclareceu que faz parte de uma geração-ponte, quem não faz? Quem não é a ponte o mundo que recebeu dos mortos e o mundo que passará adiante aos não nascidos?

Toda geração, toda geração, não é uma ponte e o futuro que nunca verá. O que dirão nossos descendentes do planeta que deixamos a eles?

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