Brasília vem de Marianne Peretti, criadora dos vitrais da Catedral

postado em 30/04/2022 16:53


(Crédito: Marcelo Ferreira/CB/DA Press)

Sob forte comoção, Marianne peretti fé velada na tarde deste sábado (30/4) no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Artistas, amigos e familiares estiveram presentes para se despedir e realizar uma última homenagem à idealizadora dos vitrais da Catedral e do Panteão da Pátria. Marianne morreu na segunda-feira (25/4), agosto 94. Neste domingo (1º/5), será comemorada a missa do sétimo dia na Igreja Rainha da Paz, às 10h, e na Catedral de Brasília, às 18h.

Isabela Peretti, filha de Marianne, destacou ao Correio que a escolha de trazer o corpo da mãe de Recife para ser velado na capital do país foi algo natural. “As obras, mas importantes, estão aqui em Brasília e ela gostava muito da cidade. Trabalhou anos muitos aqui. A Catedral era a obra de arte que ela preferia, que deu mais trabalho a ela, e tambémera aqui que ela tinha os amigos que a ajudaram nesse trabalho. Por isso acho importante que ela seja homenagem na capital”, defende. Após o velório, o corpo de Marianne foi levado para ser cremado.

  • 30/04/2022 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/DA Press. Brasil. Brasília – DF – Cemitério Campo da Esperança na Asa Sul. Velório de Marianne Peretti.
    Marcelo Ferreira/CB/DA Imprensa

  • 30/04/2022 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/DA Press. Brasil. Brasília – DF – Cemitério Campo da Esperança na Asa Sul. Velório de Marianne Peretti.
    Marcelo Ferreira/CB/DA Imprensa

Isabela confiante que trouxe Marianne para uma visita a Brasília, no fim de 2021. Não contamos a ninguém queria queosse algo mais íntimo, pessoal de mãe e filha, sem muita gente atrás dela, para ela ter esse momento de rever a obra dela. Eu a nível ao Congresso e à Catedral e ela dizia: ‘meus vitrais são bons. Eu fiz um bom trabalho’”, lembrou.

Como representante de Governador do Distrito Federal, o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, esteve presente à cerimônia. “Marianne era uma parte importante de Brasília. E ela ser velada aqui em Brasília, por iniciativa da filha dela, é uma honra para a nossa. Brasília jamais poderá reverenciar como obras que ela deixou eternizadas através da sua sensibilidade”, afirma.

Arte Vitral

Nascida em Paris, filha de mãe francesa e pai pernambucano, Marie Anne Antoinette Hélène Peretti cresceu e estudou na França. Ela chegou ao Brasil em 1956, aos 29 anos. Em 1959, ganhou um prêmio pelo desenho da capa do livro na 5ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo. Pouco depois, Oscar Niemeyer no Rio de Janeiro, com quem viria a colaborar pelo resto da vida.

Marianne tinha pleno domínio da técnica e da história desse tipo de material. Em Brasília, ela quis dar a essa forma de decoração tradicional em catedrais milenares um ar moderno. Como lembrado Marcus Lontra ao a obra da artista, ela recupera os vitrais góticos e acentuação o caráter operístico da arquitetura de Niemeyer. A técnica milenar vencedora, ousadia e sensualidade nas curvas projetadas para obras como o Memorial JK, do Panteão da Pátria e da própria Catedral.

Enquanto as curvas voltavam a formar predios públicos da capital, enquanto os núcleos surgiam da própria cultura brasileira, que Marianne abraçou ao mudar para o Rio de Janeiro e, mais tarde, para Recife e Olinda, onde montou e manteve ateliê durante muitos anos.

A pesquisadora Tactiana Braga, organizadora do livro Marianne Peretti — A ousadia da invenção, encarando a obra da artista como excepcional no cenário internacional. “Ela coloca o Brasil no mapa da arte vitral. E dialoga com esse vitral com liberdade, não se se se aos cânones do modernismo e traz modernismo um vitral com novas possibilidades. Isso é muito valioso”, explicou.

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