Aos 70 anos, artista baiano Renato Matos fala de sua voyageória em Brasília

postado em 03/04/2022 06:00 / atualizado em 03/04/2022 09:14


O artista plástico em plena atividade – (crédito: Minervino Júnior/CB/DAPress)

Em meio a batuques, núcleos e orixás de Salvador, nascia, em 4 de março de 1952, Renato Matos dos Santos. Era para ser uma vida bem baiana para um jovem artista plástica em começo de carreira, quando foi convidado para fazer uma exposição, no início dos anos 1970, na capital do país. “A cidade futurista, e sua moderna, remeeu-me a desenhos de Flash Gordonou algo como a Bauhaus”, destaca Renato, que hoje comemora 70 anos de vida. Correioo autor do candango clássico Um telefone é muito pouco conta da carreira, das influências e afirma o amor pela arte. “Éssa diversidade artística que me sustenta e me permanece vivo, uma descoberta e ativa. Cada dia”. Evo, Renato!

INTERVISTA / RENATO MATOS

Como foi em Brasília que você colocou os olhos pela primeira vez, vindo Bahia, nos anos 1970?

Eu tinha 22 anos ao desembarcar na Rodoviária do Plano Piloto para fazer uma exposição na cidade. Começava minha carreira de artista plástico e a cidade futurista, e sua arquitetura moderna, remeeu-me a desenhos de Flash Gordon, ou algo como a Bauhaus. Fiquei apaixonado por tudo. Adaptei-me à comunidade artística da cidade, conhecendo figuras como o ator Guilherme Reis, o diretor Hugo Rodas. Minha vida era teatro e música, além da pintura e do entalhe em madeira.

Você é um baiano que misturou suas raízes com o cerrado e criou uma textura nova na música da capital? Esse caldo começou sonoro não Concerto Cabecas?

fé exatamente não Concerto Cabecasorganizado pelo ator Neio Lúcio que consegui mostrar minha música para um public maior e, também, apresentar meus trabalhos a óleo sobre terra na Galeria Cabeças.

Todo mundo conhecido Um telefone é muito pouco, que virou sucesso nacional na voz de Leo Jaime. Como você reage quando alguém pede para você cantá-la? Te incomoda ser visto como artista de uma música só?

Não, porque tenho mais de 300 composições — algumas mais inéditas — e disco lancedos com boas pararias, como na música Na torneiraque fiz com Carlos Cor das Águas, de Salvador, e que fé o primeiro sucesso de Ricardo Chaves no carnaval da Bahia.

“Ah, essa solidão celular. Ter todos ao alcance e não ter com quem falar”, versos do seu porqueiro TT Catalão que você musicou e se transformou num clássico pós-moderno, pós-tudo. Você é um Tom Zé candango, cuja poética transcende o modismo. Como comer num país em que arte é de plástico, de consumo rápido como aqueles cigarros de pen-drive?

Tom Zé, assim como grandes influenciadores da cultura brasileira, como Oswald e Mário de Andrade, como Semana de 22, veio do movimento tropicalista, que fez minha cabeça. Meu contato com o mestre suíço Walter Smetak na Bahia e outros músicos também formaram meu universo sonoro.

Você teve muitas chances de ir a Cidade Maravilhosa, para uma gravadora internacional, ganhar e vender por alguma fama, mas não quis, por quê?

O que é bom, vai perdurar. E quem perde são os “consumidores do imediato”, sem o mínimo de autocritica. Assim também é a falta de bom gosto e de consciência política do país, mas isso fica melhor com o tempo. Talvez pela rebeldia, não me arrependi de nada. Ainda estou vivo, graças a minha criatividade, que me salva todos os dias.

Que você tem lembranças de Renato Russo, de Cássia Eller de seus amigos da Liga Tripa?

As lembranças são as mais positivas com Cássia, gostaram do dia com Renato e dos encontros musicais que usaram no Brasília Rádio Center. Quanto ao Liga Tripa, estamos sempre juntos na varanda do Leão da Serra (centro gastronômico e cultural no Taquari). Finalmente, temos feito uma roda de composição na varanda do lugar, com Sérgio Duboc, Vicente Sá e Fabrizio Morelo… Brevemente, gravaremos algo.

Hoje você tem uma porqueria contínua com o poeta Vicente Sá. Com quem mais você queria fazer uma música?

Um bom porqueiro é sempre bem-vindo. Recentemente, me encontrou com o poeta Nicolas Behr, comentando Rodofernália, a canção de nossa carria, combinamos de fazer mais. E você, Zé, quem sabe, fazer umas músicas…

Antes, a rapper Flora Matos era filha do famoso Renato Matos, hoje é o contrário. Como você vê o crescimento musical da Flora?

Engraçado, mano. Quanto ao crescimento musical e ao prestígio de Flora, eu sinto pelo seu progresso. Às vezes acho que ela faz parte da continuidade, espírito musical da família.

Em 1989, você gravou o compactar Grande Circular. Em seguida, formou a banda Acarajazz, com músicos da cidade, também lançou o LP Plugue, que teve boa repercussão… Era uma época de grande efervescência cultural, teatros lotados, bandas e cantores surgindo. Hoje, temos fechadas, uma cena cultural tomada por uma cultura rasteira e graça. O que, na sua opinião, pode ser feito para reverter essa situação?

Acho que não reverterá tão cedo e nem o novo normal será tão fácil de adaptação. O velho normal não retornará. Tudo será diferente e será preciso treinamentos na humanidade inteira. Até as formas de consumo, de ouvir e de dançar… De ir a shows também. Estamos vivendo os últimos dias do que se dizia ser normal.

Poucos conhecem a sua grandeza como artista plástico, que fez exposição na cidade. Você também é construtor de instrumentos… Como, aos 70 anos, conciliar tantas atividades?

E essa diversidade que me sustenta e faz permanecer vivo e ativo. Cada dia, uma descoberta. Quanto à criação de instrumentos, não sou luthier, eu crio esculturas sonoras, de criação de superfícies das superfícies dos objetos, coisa que aprendi com Smetak e Hermeto Pascoal.

https://www.youtube.com/watch?v=gYUiYhdltl4&t=6s

Zirig dum Brasília – Arte e Sonho de Renato Matos do diretor de fotografia André Luiz de Oliveira

  • Com a amiga e porqueira musical Cássia Eller

    Com a amiga e porqueira musical Cássia Eller
    Foto: Gilberto Soares de Sousa/Divulgação

  • Show no mítico Concerto Cabeças

    Show no mítico Concerto Cabeças
    Foto: Ricardo Nóbrega/Divulgação

  • Confira QR Code da entrevista com Renato Matos

    Confira QR Code da entrevista com Renato Matos
    Foto: Reprodução

  •   03/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/DA Press.  Brasil.  Brasília-DF.  Entrevista como artista plástico e cantor Renato Matos.

    03/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/DA Press. Brasil. Brasília-DF. Entrevista como artista plástico e cantor Renato Matos.
    Foto: Fotos: Minervino Júnior/CB/DAPress

  • Confira uma entrevista exclusiva com Renato Matos pelo QR Code

    Confira uma entrevista exclusiva com Renato Matos pelo QR Code
    Foto: Reprodução

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