‘Anatomia de um escândalo’ tem truques em embrulho de luxo

Sienna Miller e Rupert Friend em ‘Anatomia de um escândalo’ (Foto: Netflix)

Ao leitor que decidir conferir “Anatomia de um escândalo” recomendo deixar o preconceito de lado. TEM minissérieque está fazendo sucesso na netflixdez doses de romance, de filme de ação político e de corte dramática. Mas se encaixa mesmo com perfeição naquela categoria do programa que “é, mas é bom”. Encarada dessa forma, a produção é um convite a uma deliciosa maratona e pode ser devorada facilmente num fim de semana.

Acompanhamos a política crise que começa com a traição conjugal. Sienna Miller é Sophie Whitehouse, mulher do curador parlamentar James Whitehouse (Rupert Friend, o Peter Quinn de Terra natal). Nas cenas, ele liga para ela, que primeiro está numa festa, e pede que venha imediatamente para casa. Precisa dizer algo importante. Ela espera ao chamado, mas não se alarme: tem absoluta segurança da vida sólida que precisa com ele. Casados ​​há 12 anos, conheceram em Oxford, universidade dos bem-nascidos. Têm um casal de filhos e moram numa casa linda. A carreira dele é ascendente, e ela leva uma rotina de ótima mãe, sem sobressaltos. O futuro planejado está. Então isso tudo isso rui.

James revelou que teve um caso com uma assistente. A imprensa sensacionalista descobriu uma infidelidade, que será notícia nos jornais do dia seguinte. Eles precisam se preparar para o escândalo que vai estourar Sophie apoia o marido, que argumentou que tudo não passou de uma aventura sem envolvimento romântico. Só que a história vai se complicar. Em outra ponta, somos uma promotora, Kate Woodcroft (Michelle Dockery, a Lady Mary de Downton Abbey). Ela será o antagonista de Whitehouse no calvário que se abre para ele. Dizer mas vai esbarrar não Spoiler.

O enredo apressado cheio de viradas e ganchos. Há muitos truques. Os esquemas se multiplicam. Nas cenas de tribunal, o texto ate simula oferecer algum debate. Mistura moral, ética e semiótica e ensaia uma discussão “séria” sobre “os limites do consentimento”. Mas é tudo cosmético. Uma série adaptada de um livro homônimo de Sarah Vaughan. O roteiro, não é coincidência, leva a assinatura de David E Kelley, que também esteve por trás de “The undoing” e “Grandes pequenas mentiras”. A fidelidade conjugal, o sexismo e os anseios de liberação da mulher são aquilidade. E o tratamento atribuído a esses temas também é semelhante: é a espécie de navegação na oportunidade, um certo “feminismo de marketing”.

Porém, “Anatomia de um escândalo”, como disse no início desta crítica, não tenciona inventar a pólvora. Seu objetivo é produzir bom entretenimento. E isso acontece.

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