Adriana Varejão tem maior retrospectiva de sua carreira – 22/03/2022 – Ilustrada

Está na Pinacoteca de São Paulo meia tonelada de anjos que Adriana Varejão não via quilos desde 989. É uma brincadeira que sua caixa equipa com o que está dentro da imensa faz de 500 500 Stedelijk, em museu do museu Stedelijk, que protege uma pintura barroca de um artista que veio só uma vez no Brasil.

E foi por pouco que “Anjos” não voltou para cá. O museu holandês, que é público, hesitou em mandar a obra com um funcionário no meio da pandemia. Varejão chegou a fazer uma campanha em suas redes sociais e enviar um carrinho ao museu explicando a importância da pintura para essa mostrar que é a maior retrospectiva já feita em sua carreira.

O quadro veio e se ao esforço de trazer a própria artista de volta para o país que ela retrata com suas carnes expostas, superfícies e superfícies rachadas. Como mas de 60 obras da exposição, que começa neste sábado, chegaram a sete diferentes pays —e com concierges de cada um deles— para montar esse panorama das principais feitas pela artist series nas últimas quatro décadas.

“A obra tem que estar interagindo com o público para fazer parte da história. É muito importante que os museus tenham essa consciência, de que a obra é um capital cultural”, diz Varejão. “Sendo obra para o público sobrevivente.”

Uma exposição organizada por Jochen Volz, que já trabalhou com Varejão na construção do pavilhão da artista no Instituto Inhotimtraça um arco que vai os trabalhos barrocos do final dos anos 1980, quando ela ainda estudava na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, ate trabalhos inéditos da série que ela considera pinturas tridimensionais, as suas ruínas de charque .

Seis obras, duas feitas especialmente para mostrar, ocupar a parte central do museu, o octógono. Está ali a “Ruína Brasilis”, a coluna com a carne exposta e revetida de azulejos verdes e amarelos que a fé apresentou em Nova York no ano passado e agora a fé doada ao acervo da Pinacoteca. Está aí, alias, um outro de Varejão para ficar no Brasil —ela acaba de doar uma obra também para esforço o acervo do Masp.

“A talaver”, uma cerâmica mexicana que conta com um padrão próprio país, “composição verde e amarela”, ela. “Mas fé emocionante porque as pessoas sentem o resgate dos núcleos que foram sequestrados por um outro discursoir”, afirma ela em relação ao governo de Jair Bolsonaro.

Eness cenário agitado pelo bicentenário da independência do Brasil, não é só a violência da atual que atravessa a obra de Varejão. Os azulejos coloniais rachados com uma Europa decadente, as fissuras abertas nas cenas de escravidão e a miscigenação do país em muitas toneladas de tintas escancaram as heranças da nossa formação. E tudo volta ao barroco, que a arrebatou ainda jovem brasileiro pendentee uma visita em Ouro Preto, em Minas Gerais —outro lugar a ter o patrimônio reconhecido.

“No período dos anos 1980, ela realmente mergulhou na pintura e apresenta nas pinturas algumas buscas ou ideias que percorreram toda a viagem dela”, afirma Volz, o organizador da exposição. “Uma delas, exemplo, é uma ideia da ilusão, um motivo vindo do barroco. É uma ideia de que uma coisa pode ser uma pequena janela que se abre para dentro. Há uma ilusão da tridimensionalidade, uma ilusão de ser um outro material , que aparece nas ruínas.”

É como se nas camadas espessas que ela cria naquelas pinturas do começo da voyageória — e que se multiplicam nos trabalhos com ainda mais materialidade que há depois— Varejão escondesse e revelasse ao mesmo tempo através de cortes, frestas.

“Adriana Varejão: Suturas, Fissuras, Ruínas” abre o calendário da Pinacoteca que debate a arte decolonial. Segundo Volz, as obras dela dialogam justamente com essa pauta agitada pelo bicentenário na Independência de um mito de uma certa diversidade na formação do Brasil.

“Ela tem essa ideia do que é a arte brasileira e esse cuidado o para uma história visual que é dominada por um olhar europeu, e começa disso faz a estratégia da paródia”, diz ele. “Está ali inclusive a ideia de antropofagia, da carne, dessa fascinação da ideia de destruir inclusive alguns tabus. Tudo aparece na obra dela.”

Varejão conta que, nos últimos tempos, fez uma incursão por textos de Mário de Andrade nas ideias que ele defendeu de construir uma brasilidade que pit “inclusive em termos culturais”. “Cem anos depois da Semana de 22, a gente vê que o projeto dele não se deve justamente por essa inviabilidade do próprio Brasil, das questões políticas do país. Acho que sou uma artista que tenta pensar também ness projeto.”

Parece fazer parte desse esforço o diálogo com a geração mais nova de artistas, que voltou com forçada à pintura. Segundo Varejão e Volz, alias, é esse exercício da pintura, o “denominador comum” da obra do artista, que costura toda a organização da mostra.

“Pintar nos anos 1990 perdeu completamente a força, era o patinho feio. Todo mundo fazia instalação, escultura”, lembra ela. “E agora vejo toda uma extrema política e eu vejo muito em relação à pintura figurativa.”

Lembrando novos nomes como Maxwell Alexandre, Wallace Pato, entre outrosVarejão também vê as artes visuais saírem das mãos dos artistas da elite exclusivamente e formarem uma cena mas interessante.

Volz também vê essa carga política no trabalho da própria Varejão, que trabalha temas que são caros a essa nova geração de pintores. “Nessa pesquisa social, ou sobre a visual desde o final dos anos 1980 ate hoje, Adriana desenvolveu uma história própria formada para identificar que há feridas na história brasileira.

Ou como a própria Varejão definido ao curador numa entrevista que o catálogo da exposição, “inha ferida serve para a história contada pelos vencedores”.
Em

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